sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Carta aberta a Rui Rio



Caro companheiro Rui Rio,

Acabaste de ser eleito Presidente da Comissão Política Nacional do PPD numa eleição em que grande parte dos militantes votou num dos candidatos para que o outro não ganhasse, sendo que muitos deles nem isso fizeram.

Calhou-te a ti o brinde ou a fava, segundo o ponto de vista.

É bom que a consciência desta realidade te acompanhe durante o teu mandato para gerires da melhor maneira os destinos do Partido.

Nós, reunidos no movimento de reflexão Portugal Laranja, — em que participam quer daqueles que votaram em ti, quer no outro candidato, ou em nenhum, apenas em função de apreciações meramente subjectivas face ao que julgaram ser mais conveniente para o que todos queremos para o PPD e para Portugal — move-nos a defesa do conjunto de valores e políticas que reputamos de essenciais para o bem-estar dos Portugueses.

Não nos move, portanto, a obediência a qualquer grupo de interesses, de políticas indefinidas, alinhamentos erráticos ao sabor dos egos, guerras antinacionais Norte-Sul, tudo sempre ignorando os superiores interesses de Portugal e dos Portugueses.

Sim, frontalmente, nós pretendemos interpretar as consciências caladas de dezenas de milhares de militantes e de milhões de eleitores do Partido, sempre esperançados nas mudanças para bem do País mas sistematicamente frustrados com aquilo que se tem resumido a uma dança de cadeiras.

Não nos ocupamos neste momento da táctica do Partido face ao inimigo, que é a esquerda, nesta ou naquela circunstância política. A táctica é para ser avaliada na circunstância.

Tão-pouco é agora a estratégia que tem a prioridade das nossas preocupações. Ela só pode ser definida depois de se definir o modelo de sociedade que se quer, com os seus próprios valores.

O que nos preocupa sumamente neste momento é precisamente o que qualquer dirigente do Partido possa querer como modelo de sociedade, isto é, que valores defende ou atropela.

Nós, militantes reunidos no movimento de reflexão Portugal Laranja, expressamos a nossa inequívoca defesa dos princípios e objectivos políticos que entendemos que o Partido deveria procurar independentemente das conjunturas que passam e das direcções efémeras que desfilam. Eis os princípios que nos norteiam e objectivos que prosseguimos. Cá dentro e lá fora.

1 — Valores da Civilização — Defendemos a Civilização europeia e a sua matriz ética, a vida humana desde a concepção até à morte natural, a família natural como única forma de família, a moral pública e o bem comum.

2 — Portugal na Europa e no mundo — Queremos uma Europa de identidade europeia, de cultura europeia e das nações europeias e a integração de Portugal nesse espaço e nas alianças ocidentais, salvaguardando sempre a nossa independência política, cultura, língua, identidade, tradições e economia, e em união com a diáspora portuguesa.

3 — Natureza do Estado — Opomo-nos ao socialismo e ao liberalismo, defendemos o Estado forte, independente de capelinhas e baronatos regionalistas, financeiros ou outros, o Estado regulador, nomeadamente na moral e na economia, bem dimensionado para as suas funções, firme e decidido e agente da moral pública e da ordem pública.

4 — Papel do Estado  — Defendemos o Estado claramente assumido como superior protector da Civilização, da Nação e do bem comum.

Pensamos ainda que o Partido deve tomar seriamente como sua tarefa a formação dos seus militantes para que estejam à altura de agir na política com rigor e eficácia a defender estes valores.

São, no fundo, estas as preocupações da larga maioria dos militantes. Por estes princípios e objectivos nos batemos.

Podes, pois, contar com a nossa total disponibilidade para defender estas políticas e nunca o seu contrário, não aquilo que conduziu às mordomias, ao marasmo económico, à degradação da educação, à crise moral, ao suicídio demográfico, ao abastardamento da língua, à perda da independência nacional.


Lisboa, 15 de Fevereiro de 2018

A Comissão Coordenadora de Portugal Laranja





quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

NATO, Guerra Fria, Turquia, Rússia e a Europa. O essencial da entrevista a Jens Stoltenberg

Em entrevista à RTP, Jens Stoltenberg apresenta
a estratégia «dual» da organização para responder a Moscovo.
|Pedro Nunes – Reuters

Christopher Marques, RTP, 29 de Janeiro de 2018

O secretário-geral da NATO garante que a organização está pronta para defender qualquer aliado. Em entrevista à RTP, Jens Stoltenberg apresenta a estratégia «dual» da organização para responder a Moscovo: a busca pelo diálogo mas mostrando firmeza contra a ingerência russa, nomeadamente na Crimeia. O responsável garante ainda que os EUA estão empenhados na NATO e elogiam o aumento do investimento em defesa feito por Portugal.

O secretário-geral da NATO considera que o principal desafio da organização é o facto de se enfrentarem actualmente «muitos desafios complexos ao mesmo tempo». Na conversa com o jornalista Paulo Dentinho, Jens Stoltenberg faz nomeadamente referência aos conflitos que assolam o Norte de África, o Médio Oriente, para além da luta contra o autoproclamado Estado Islâmico.

A estes soma-se o papel «mais assertivo a leste» que a Rússia vai assumindo, as ameaças cibernéticas e o desenvolvimento do poderio nuclear da Coreia do Norte. «Há muitos desafios ao mesmo tempo e daí que a NATO esteja a adaptar-se, a mudar e implementar a maior adaptação na NATO desde o fim da Guerra Fria», explica o responsável máximo da organização.

Jens Stoltenberg lidera desde 2014 a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN-NATO), a aliança militar que nasceu depois da Segunda Guerra Mundial, num período em que o mundo se dividia entre pró-russos e pró-americanos.

O mundo mudou. O muro de Berlim caiu e o ocidente aproximou-se da Rússia, já depois da queda da União Soviética. A aproximação inverteu-se nos últimos anos, com as relações entre o bloco ocidental e a Rússia a deteriorarem-se.

Na conversa com Paulo Dentinho, Jens Stoltenberg rejeita que a NATO esteja a enfatizar a tensão com a Rússia na Europa de Leste, recordando o papel da Aliança Atlântica no combate ao terrorismo, nomeadamente a «maior operação militar de sempre» da NATO que decorre no Afeganistão.

«Trabalhamos para fazer face aos desafios vindos de leste, mas também de desafios vindos de sul. Além disso, por exemplo, o que fazemos para combater as ameaças cibernéticas não está relacionado com o leste, norte, sul ou ocidente. Está relacionado com o domínio cibernético, algo relevante para todos nós, onde quer que estejamos», sublinha o líder norueguês.

«Não voltámos à guerra fria»

A relação do ocidente com a Rússia tem piorado ao longo dos últimos anos. O ocidente tem acusado a Rússia de realizar ciberataques e campanhas de propaganda nas redes sociais, interferindo mesmo em actos eleitorais. A este conflito virtual com consequências reais soma-se o papel russo no conflito militar ucraniano.

Convidado a adjectivar este novo conflito entre o ocidente e Moscovo, Stoltenberg aponta apenas que a Rússia está «mais assertiva» e a usar «muitas ferramentas diferentes».

«Usaram as forças armadas contra a vizinha Ucrânia mas também na Geórgia. E há muitos relatórios sobre as tentativas da Rússia de interferir em processos políticos domésticos, com propaganda, com desinformação e também com ciberferramentas», confirma o secretário-geral da NATO.

Apesar da tensão com Moscovo, Stoltenberg garante que não se regressou ao período que antecedeu a queda do Muro de Berlim. «Não voltámos à Guerra Fria, mas também não estamos na parceria estratégica que tentámos estabelecer após o final da Guerra Fria», assume.

O líder norueguês considera que esta «parceria estratégica» falhou porque Moscovo «decidiu tentar restabelecer esferas de influência e, de certa forma controlar os seus vizinhos como vimos na Geórgia, Moldávia e na Ucrânia». Uma luta que a NATO promete combater.

«Nunca aceitaremos que uma grande potência como a Rússia tenha o direito de controlar vizinhos ou estabelecer qualquer tipo de esfera de influências», garante, prometendo uma abordagem firme mas que tente reduzir a tensão.

A estratégia com a Rússia

Uma das pedras angulares deste clima de tensão com Moscovo é o conflito ucraniano e a anexação da Crimeia à Federação Russa em 2014. Apesar do conflito, Stoltenberg acredita que é possível «combinar a defesa, dissuasão e diálogo» no que considera ser uma abordagem «dual» com Moscovo.

«A Rússia é nossa vizinha. A Rússia está cá para ficar. Não queremos uma nova Guerra Fria, não queremos uma nova corrida ao armamento. Temos de ser firmes quando a Rússia emprega a força contra um vizinho, como fez com a Ucrânia. A Rússia tem de perceber que não pode fazer nada semelhante a qualquer aliado da NATO, esteja onde estiver. Mas também queremos ter um diálogo significativo com a Rússia», explica.

É com este diálogo em vista que Stoltenberg recorda as reuniões do Conselho NATO/Rússia que tiveram já lugar. Apesar de ainda terem ocorrido poucos encontros, o dirigente da Aliança Atlântica enfatiza a existência de «um diálogo com a Rússia» onde se falam precisamente de questões como a Ucrânia.

Para o responsável, é necessário enviar uma «mensagem clara à Rússia»: «a forma como se comportou na Ucrânia, com a violação do direito internacional e da integridade e soberania de uma Nação a quem já tinham garantido as fronteiras antes, tem de ter consequências».

Com o diagnóstico feito, Stoltenberg apresenta o caminho mais rápido para a melhoria das relações entre o ocidente e a regime de Vladimir Putin. «A melhor maneira de melhorar relações entre a NATO e a Rússia é a Rússia deixar de violar o direito internacional. Nós estamos dispostos a trabalhar com eles mas têm de respeitar a soberania e a integridade territorial de todos os membros, incluindo o Reino Unido», afirma.

Solução para a Ucrânia

O secretário-geral da NATO considera que a solução para o conflito ucraniano não é militar mas política. Na entrevista à RTP, o responsável recorda que «a solução política está nos acordos de Minsk», numa referência ao protocolo assinado em 2014 entre Kiev, Moscovo, Donetsk e Lugansk sob o amparo da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa.

«O que temos visto é que os acordos de Minsk não são cumpridos. Os acordos de Minsk exigem que todas as tropas estrangeiras se retirem da Ucrânia e de Donbass, do leste da Ucrânia. Não é o que acontece. A Rússia continua lá, a apoiar os separatistas, e isso é uma violação clara dos acordos», afirma.

Confrontado com a acusação russa de que há nações ocidentais a vender armamento à Ucrânia, Soltenberg recorda que Kiev é um «governo soberano numa nação soberana» e «tem o direito de comprar armas para se defender».

«A NATO não fornece armas porque não as temos. Mas alguns dos aliados da NATO vendem e fornecem à Ucrânia. A grande diferença é que a Ucrânia tem um governo legítimo em Kiev. A integridade territorial e a soberania da Ucrânia são violadas na Crimeia e no Leste da Ucrânia por forças apoiadas pela Rússia e pela presença das capacidades militares russas», insiste.

Questionado sobre um eventual receio de Moscovo perante a presença de tropas atlânticas no Leste da Europa, Stoltenberg realça que a mobilização só surgiu depois do conflito na Ucrânia. «É uma consequência directa das acções agressivas da Rússia contra a Ucrânia», justifica.

O secretário-geral da NATO rejeita ainda a ideia de que a Rússia tenha receio por estar rodeada por nações da NATO, depois da adesão de países como a Polónia, a Letónia e a Lituânia a partir de 1999.

«São nações soberanas e independentes que decidiram, através de processos democráticos, que queriam aderir à NATO. Não é uma provocação ou uma ameaça para a Rússia. É o resultado de decisões democráticas por nações soberanas», afirma.

«Defender qualquer aliado»

Questionado sobre se a NATO seria capaz de seguir uma estratégia semelhante à adoptada pela Rússia na Crimeia nos países bálticos, Jens Stoltenberg responde positivamente. «A NATO está preparada para defender qualquer aliado contra qualquer ameaça. Esta é a mensagem principal da NATO», recorda.

O ex-primeiro-ministro norueguês lembra que a missão da NATO é «evitar um conflito» e não provocá-lo, mantendo sempre a solidariedade entre Estados-membros: «Um por todos, todos por um».

«Esta ideia de defesa colectiva manteve a paz na Europa durante quase 70 anos, um dos mais longos períodos de paz durante séculos na Europa. Iremos continuar a fazê-lo, evitando e prevenindo conflitos e não provocando-os», assegura.

Investimento em defesa

O secretário-geral da NATO considera que os EUA têm mostrado que «estão empenhados nos laços transatlânticos», assinalando que Washington está mesmo a aumentar a presença militar no continente europeu. «Não são só palavras, são factos», afirma Stoltenberg.

O líder da Aliança Atlântica espera agora que os restantes Estados-membros «cumpram o que decidiram», numa referência ao aumento da despesa com defesa tendo por objectivo os dois por cento do Produto Interno Bruto, uma meta que Portugal – e a maioria dos países – não cumpre actualmente.

«Vejo com bons olhos o facto de Portugal ter acabado com os cortes e começado a aumentar. Depois de anos de cortes nas despesas de segurança, vimos um aumento nos últimos dois anos», afirma.

Stoltenberg vê neste aumento uma «expressão do compromisso de Portugal para com a NATO», mas pede «mais» investimento em defesa. O líder defende que o investimento em defesa deve ser flexível e admite que ele próprio, quando exercia cargos políticos na Noruega, defendeu cortes no passado.

«Tal como reduzimos os gastos com defesa quando as tensões diminuíram, também temos de as aumentar quando as tensões se agravam», justifica.

O secretário-geral da Aliança Atlântica admite ainda que é preciso melhorar a forma como se deslocam meios militares entre Estados-membros na Europa. «Vivemos num ambiente de segurança diferente a que temos de fazer frente», justifica, sem comentar a possível criação de um «espaço Schengen militar».

Turquia tem «direito a defender-se»

Questionado sobre a situação política na Turquia e a sua adequação aos valores da NATO, Stoltenberg recorda a localização estratégica do país e o seu papel «crucial» na luta contra o autoproclamado Estado Islâmico. «A Turquia sofreu muitos ataques terroristas, mais do que qualquer outro aliado da NATO, e uma tentativa de golpe sangrenta», afirma.

Ancara tem comprado armamento a Moscovo e tem combatido os curdos, que são apoiados por Washington, Londres e Paris. Stoltenberg insiste que a Turquia tem o direito a defender-se mas assinala que deve fazê-lo de «forma proporcional».

O responsável admite ainda que «a indústria de defesa europeia é demasiado fragmentada», com muitos modelos diferentes do mesmo sistema. Por exemplo, há cerca de 20 tipos diferentes de caças. O secretário-geral da NATO assinala que este é um tema sensível, porque está relacionado com empregos em diferentes países.

Jens Stoltenberg acredita que o fortalecimento da cooperação em matéria de defesa na União Europeia irá contribuir para «resolver a fragmentação da indústria europeia de defesa, tornando-a mais competitiva e reduzindo os vários modelos de cada tipo de arma».


VER LINK:
https://www.rtp.pt/noticias/mundo/jens-stoltenberg-a-rtp-a-entrevista-na-integra_v1055056







sábado, 6 de janeiro de 2018

Bem-vindo ao Inferno chamado Bruxelas


Batalhão de choque com apoio de um canhão de água e blindado antiprotesto, tentando afastar
arruaceiros do centro de Bruxelas, Bélgica, em 12 de Novembro. Centenas de «jovens»
de origem estrangeira «comemoravam» a classificação para o Mundial de Futebol
da equipa marroquina promovendo tumultos, nos quais 22 policiais ficaram feridos.
(Imagem: captura de tela de vídeo da Ruptly)

Drieu Godefridi, Gatestone Institute, 31 de Dezembro de 2017


Original em inglês: Welcome to the Hell Hole
that is Brussels

Tradução: Joseph Skilnik


  • No mês passado Bruxelas foi alvo de três ondas de tumultos e saques numa gigantesca escala.
  • Ao penetrarmos na espessa nuvem da indignação profissional, a fim de esmiuçarmos a realidade da «capital da Europa», o que se pode observar em muitos aspectos é na realidade um verdadeiro Inferno, onde o socialismo, islamismo, confusão e saques são o lugar-comum.
Quando o então candidato à presidência dos Estados Unidos, Donald Trump salientou em Janeiro de 2016 que, graças à imigração em massa, Bruxelas estava a transformar-se num Inferno, políticos belgas e europeus unidos entrincheiraram-se nas barricadas dos media afirmando: como ele ousa dizer uma coisa destas? Bruxelas, capital da União Europeia, quinta-essência do mundo pós-moderno, vanguarda da nova «civilização global», Inferno? Indubitavelmente a assimilação dos recém-chegados nem sempre é tranquila, podendo haver atritos de tempos a tempos. Mas não importa, eles tornam saliente o seguinte: Trump é um fanfarrão e seja lá como for ele tem zero probabilidades de ser eleito. Estas eram as opiniões dos ávidos leitores do The New York Times International Edition e assíduos telespectadores da CNN International.

No entanto, Donald Trump, no seu inconfundível e impetuoso estilo, simplesmente estava certo: Bruxelas está a mergulhar rapidamente no caos e na anarquia. Exactamente dois meses depois deste dramático «trumpismo», Bruxelas foi abalada por um execrável ataque terrorista islâmico que tirou a vida a 32 pessoas. Esta é somente a ponta do monstruoso iceberg que se vem  avolumando há mais de três décadas via imigração em massa e loucura socialista.

No mês passado Bruxelas foi alvo de três ondas de tumultos e saques numa gigantesca escala.

Primeiro, Marrocos classificou-se para o Mundial de Futebol: entre 300 e 500 «jovens» de origem estrangeira tomaram as ruas de Bruxelas para «comemorar» o acontecimento à maneira deles, saqueando dezenas de lojas no centro histórico de Bruxelas, devastando avenidas desertas da «capital da civilização» e, no meio do quebra-quebra feriram 22 policias.

Três dias mais tarde, uma estrela da música rap das redes sociais chamada «Vargasss 92», cidadã francesa de origem estrangeira, resolveu organizar outra «comemoração» não autorizada no centro de Bruxelas, que rapidamente se transformou em mais um quebra-quebra. Lojas foram novamente destruídas e pessoas foram agredidas sem motivo algum a não ser o de estarem no lugar errado na hora errada. Breves videoclipes do acontecimento foram transmitidos pelas redes sociais, mostrando ao mundo (e aos belgas) a verdadeira face de Bruxelas sem a maquilhagem dos políticos. Não é de se admirar que a elite política da Europa odeie do fundo d'alma as redes sociais. Preferem a imprensa tradicional, politicamente correcta, fortemente subsidiada tanto em França quanto na francófona Bélgica.

Por fim, em 25 de Novembro, as autoridades socialistas que administram a cidade de Bruxelas tiveram a brilhante ideia de autorizar a realização de uma manifestação contra a escravidão na Líbia que rapidamente se precipitou em mais uma confusão: lojas destruídas, carros incendiados, 71 pessoas presas.

Este vale-tudo, sem a menor justificação política, é o novo lugar-comum em Bruxelas. Os políticos podem não gostar desta realidade, consequência do seu lamentável fracasso, mas é, no entanto, uma verdade incomensurável além de inevitável. A nova Bruxelas caracteriza-se por tumultos e saques cometidos por pessoas de origem estrangeira, bem como pela ininterrupta presença de militares fortemente armados nas ruas de Bruxelas, paradigma desde 22 de Março de 2016, dia em que islamistas europeus assassinaram 32 pessoas e outras 340 ficaram feridas no pior ataque terrorista na Bélgica.

Desperta curiosidade saber porque é que estes belos soldados belgas que patrulham as ruas não fazem nada para evitar a bagunça. Pelo simples motivo de que está fora da sua alçada. Se um soldado ferir um saqueador, provavelmente será execrado em público, ridicularizado pelos media, julgado e expulso do exército com desonra.

Seria engraçado se não fosse gravíssimo. Depois dos dois primeiros tumultos desta última série, a televisão estatal belga (RTBF) organizou um debate com a participação de políticos e especialistas de Bruxelas. Entre os participantes estava o senador Alain Destexhe, do movimento reformista de centro-direita (partido do primeiro-ministro belga).

Destexhe é uma figura interessante na política belga. Na Bélgica francófona,  tem sido um dos poucos a dizer publicamente que a imigração em massa que os belgas estão impondo a si próprios é insustentável, que o Islão não pode ser considerado uma religião tão pacífica assim e que as escolas nas quais 90% das crianças são de origem estrangeira e que não falam francês nem holandês em casa, não são a receita ideal para o sucesso. Declarações como estas podem até ser o óbvio em grande parte do mundo ocidental, mas na parte francófona da Bélgica, fortemente influenciada pela visão do mundo dos franceses, foi considerado de extrema-direita, extremista até, racista e outras subtilezas que a esquerda aprecia tachar.

No debate, assim que Destexhe tentou provar que existe uma conexão entre a não integração de muitas pessoas de origem estrangeira em Bruxelas e o alto grau de imigração que já dura décadas, o moderador literalmente gritou com ele salientando que «a migração não é o assunto do debate Monsieur Destexhe! MIGRAÇÃO NÃO É O ASSUNTO, PARE COM ISSO!», antes de dar a palavra a um «poeta sem papas na língua», uma jovem que explicou que o problema é que as mulheres que usam o véu islâmico (que ela mesma usa) não se sentem bem-vindas em Bruxelas. A plateia foi logo estimulada a aplaudi-la. Também no estúdio encontrava-se um político do Partido Verde que afirmou: «ninguém sabe qual é a origem dos arruaceiros». Dica: eles «comemoravam», de maneira idiossincrásica a vitória de Marrocos. Um glorioso momento do surrealismo belga? Nada disso, apenas um típico «debate» político na Bélgica de língua francesa, excepto que normalmente Destexhe não é convidado.

O quadro não estaria completo sem mencionar que justamente na noite em que começou o quebra-quebra, 11 de Novembro, uma associação chamada MRAX (Mouvement contre le racisme, l'antisémitisme et la xénophobie) publicou na sua página no Facebook um apelo para que se denunciasse qualquer caso de «provocação policial» ou «violência policial». Resultado da revolta? Número de policias feridos: 22, número de prisões: zero. MRAX não é só um monte de esquerdistas que simpatizam com os islamistas, recebem pesados recursos pagos com dinheiro dos contribuintes. Os movimentos de direita também são financiados pelos contribuintes? Resumindo numa palavra: não. Em Bruxelas a taxa de desemprego é surpreendentemente de 16,9%, é assombroso também que 90% dos que dependem do Estado de bem-estar social tenham origens estrangeiras e, ainda que os impostos estejam entre os mais altos do mundo, os cofres públicos estão, apesar disso, a sangrar. Um breve flash de mais um fracasso socialista.

Mas há esperança. Bruxelas não se resume em Molenbeek e em tumultos, a municipalidade conta com uma robusta tradição de empreendedorismo, o governo federal da Bélgica, em particular o componente flamengo conhece bem os desafios que precisam ser enfrentados. Mas nada vai mudar se não for reconhecido que, em muitos aspectos, Bruxelas se transformou, da opulenta cidade conservadora e «burguesa» que era há 25 anos, num Inferno.

Ironicamente o que Bruxelas obviamente precisa é de um Donald Trump.





sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Alemanha, Áustria: Imãs advertem muçulmanos a não se integrarem

Centro Islâmico de Viena.
(Imagem: Zairon/Wikimedia Commons)

Stefan Frank, Gatestone Institute, 3 de Janeiro de 2018


Original em inglês: Germany, Austria:
Imams Warn Muslims Not to Integrate

Tradução: Joseph Skilnik

  • «Enquanto fora da mesquita se conversa muito sobre integração, dentro dela o contrário é pregado. Somente em casos excepcionais, trechos do sermão, e mais excepcionalmente ainda, todo o sermão, é traduzido para o idioma alemão...» — Constantin Schreiber, autor de Dentro do Islão: O que está a ser pregado nas mesquitas da Alemanha.
  • «Os políticos que enfatizam repetidamente a intenção de cooperarem com as mesquitas, que convidam os seus membros para conferências sobre o Islão, não fazem ideia de quem está a pregar o quê naquelas mesquitas». − Necla Kelek, consagrada activista dos direitos humanos e crítica do Islão, no Allgemeine Zeitung.
Na polémica que gira em torno dos migrantes na Alemanha e na Áustria, nenhum outro termo é usado com mais frequência do que «integração». Contudo, a instituição mais prestigiada por muitos migrantes muçulmanos, via de regra, não colabora muito neste empreendimento e não raramente se opõe a ele, qual seja: a mesquita. Esta é a conclusão de um estudo oficial austríaco, bem como de um levantamento do sector privado realizado por um jornalista alemão.

No final de Setembro, o Austrian Integration Fund (ÖIF), órgão do Ministério das Relações Exteriores, publicou o estudo: «o papel da mesquita no processo de integração». Para efeitos do estudo, funcionários do ÖIF estiveram em dezasseis mesquitas em Viena, participaram em diversos sermões à sexta-feira e conversaram com os imãs em segredo, isto é, quando os imãs se disponibilizavam a conversar, o que amiúde não era o caso. A conclusão, de acordo com o ÖIF, é que apenas duas das associações de mesquitas fomentam a integração dos seus membros. O estudo aplaude uma associação de mesquitas da Bósnia que também dirige um clube de futebol. Durante a conversa, o imã salientou: «qualquer país, como a Áustria por exemplo, tem as suas leis e os seus costumes e não me canso de dizer, é nosso dever religioso respeitar as normas e integrar-se como manda o modelo».

No tocante aos papéis de género, em todas as mesquitas em que estiveram, os autores foram surpreendidos pela quase total ausência de mulheres nas rezas à sexta-feira:

«Apenas três das mesquitas percorridas... proporcionam espaço reservado para as mulheres, reservado e ocupado por elas. Caso haja este tipo de acomodação, a maioria das mesquitas também transforma estes espaços à sexta-feira em lugares para os homens».

Separação por etnia

Salvo raríssimas excepções, as mesquitas de Viena são divididas de acordo com a etnia:

«Há mesquitas turcas, albanesas, bósnias, árabes, paquistanesas e outras, nas quais os sermões são, via de regra, proferidos exclusivamente no respectivo idioma da terra natal. Somente em casos excepcionais, trechos do sermão, e mais excepcionalmente ainda, todo o sermão, é traduzido para o idioma alemão».

Portanto as associações de mesquitas são «espaços fechados em termos de etnia e idioma». Esta diferenciação estimula a «integração social num ambiente étnico próprio e, consequentemente, a segmentação étnica». Em oito das dezasseis mesquitas avaliadas, esta propensão é ainda mais reforçada pelo «nacionalismo predominante, flagrantemente difundido».

A mesquita gerida pelo movimento turco Milli Görüs destacou-se pelo alto grau de radicalismo. Milli Görüs é uma das organizações islâmicas da Europa mais influentes e está intimamente ligada ideologicamente ao presidente turco Recep Tayyip Erdogan. De acordo com o estudo, o imã da mesquita de Milli Görüs «defende abertamente o estabelecimento de uma Ummah (nação muçulmana) politicamente unida regida por um califado». Atribui a instabilidade no Islão à fitna («revolta») trazida para a comunidade islâmica de fora para dentro. Segundo os autores do estudo, o imã «vê-se cercado em todo o lado pelos inimigos do Islão que querem impedir a comunidade islâmica de dominar o mundo conforme previsto nas profecias». Nos três serviços religiosos nos quais participámos, o tema crucial era a unidade dos muçulmanos: muçulmanos de um lado, «infiéis» do outro. De acordo com o estudo, algumas das declarações do imã indicaram uma «pesada visão do mundo impulsionada por teorias da conspiração», como por exemplo: «as forças que estão fora da Ummah fizeram tudo o que estava ao seu alcance para minar a percepção da Ummah pela própria Ummah».

A conclusão do estudo assinala:

«Em síntese, poder-se-ia dizer que das dezasseis associações de mesquitas avaliadas neste estudo, com excepção das mesquitas D01 (uma das poucas mesquitas de língua alemã) e B02 (a mesquita da Bósnia mencionada acima), que não promovem diligentemente a integração social dos seus membros. Na melhor das hipóteses não impedem que isso ocorra. Na maioria das vezes têm em si um efeito inibitório no processo de integração».

Conforme a matéria, seis das dezasseis mesquitas avaliadas (37,5%) cortejam «uma política que impede diligentemente a integração dos muçulmanos na sociedade e, até certo ponto, manifestam propensões fundamentalistas». Metade das dezasseis mesquitas examinadas «pregam uma visão do mundo dicotómica, cujo princípio central é a divisão do mundo em muçulmanos de um lado e o restante do outro». Constatou-se que seis das mesquitas praticavam o «enxovalhamento explícito da sociedade ocidental».

Recriminação ao estilo de vida na Alemanha

Observações parecidas foram feitas pelo jornalista alemão Constantin Schreiber que em 2016 passou mais de oito meses a assistir a serviços religiosos à sexta-feira em mesquitas alemãs. Schreiber, fluente em árabe, é conhecido como moderador de programas de televisão em árabe, nos quais explica como funciona a vida na Alemanha aos imigrantes. Publicou as suas experiências nestas mesquitas num livro que esteve na lista dos best sellers na Alemanha durante meses a fio: Dentro do Islão: O que está a ser pregado nas mesquitas da Alemanha.

Schreiber apresentou-se às associações das mesquitas como jornalista, revelando que pretendia escrever um livro de não ficção sobre as mesquitas na Alemanha. Pouquíssimos imãs se dispuseram em aceitar conceder uma entrevista. Numa ocasião, foi informado de que era «proibido» falar com ele. Normalmente os imãs com os quais era permitido conversar não falavam praticamente nada de alemão. «Ao que tudo indica, é possível viver na Alemanha durante anos a fio, com esposa e filhos e sequer ser capaz de falar alemão ao comprar pão», salienta Schreiber.

Um assunto habitual nos sermões que Schreiber assistiu nas mesquitas consistia em recriminações ao estilo de vida na Alemanha.

«Vira e mexe, como acontece na mesquita Al-Furqan (mesquita árabe sunita em Berlim), os muçulmanos parecem estar comprometidos com a ideia de que são uma espécie de comunidade com um destino em comum: 'vocês são a diáspora! Nós somos a diáspora! Eles (alemães) assemelham-se a uma torrente que vos aniquila, que vos destrói e tira de vos os valores e substitui-os pelos valores deles'».

Na mesquita sunita/turca Mehmed Zahid Kotku Tekkesi em Berlim, no sermão à sexta-feira, no dia anterior à véspera de Natal, o imã alertou para a ameaça do «maior de todos os perigos», o «perigo do Natal»: «todo aquele que imita outra tribo torna-se membro dela. É a nossa passagem do Ano Novo? As árvores de Natal têm algo a ver com a gente? Não, nada a ver com a gente!»

O imã da mesquita de Al-Rahman em Magdeburg comparou a vida na Alemanha com um caminho através de uma floresta sedutora, realça Schreiber. Os seus encantos têm o poder de desviar os muçulmanos, de afastá-los do caminho da virtude, de perderem o caminho na «mata densa» até serem «devorados pelos animais selvagens que vivem na floresta».

O Estado não tem uma panorâmica clara

O que chamou a atenção de Schreiber, ainda no estágio de planeamento das visitas às mesquitas, foi a falta de transparência envolvendo as mesquitas na Alemanha. Para começar, não existe um directório oficial de mesquitas. Ninguém sabe quantas mesquitas existem na Alemanha. O Website Moscheesuche.de, mantido pela iniciativa privada, é o único cadastro desta natureza. «De modo que as autoridades alemãs», salienta Schreiber, «dependem de cadastros compilados por um particular, que obviamente é caracterizado por um determinado posicionamento ideológico». Além disso, como a inserção de dados no cadastro é voluntária, é incerto se as mesquitas que desejam permanecer à socapa estejam lá cadastradas. Schreiber considera improvável que o cadastro esteja perto de ser concluído ou actualizado:

«Deparei-me com mesquitas que constam do cadastro, mas já não existem, pelo menos por enquanto. Ou então mesquitas recém inauguradas que não estão registadas em nenhum lugar, nem os serviços de inteligência nem as autoridades regionais sabem da sua existência».

Além disso, o pedido de Schreiber à prefeitura de Hanover revelou que as autoridades alemãs sentem-se constrangidas no tocante ao fornecimento de informações sobre as mesquitas da sua própria cidade. Um funcionário da administração local escreveu num e-mail: «por gentileza, forneça informações mais detalhadas sobre a finalidade do cadastro. Não queremos que estas instituições estejam sob suspeição generalizada».

Medo e silêncio

Schreiber ficou surpreendido com a reacção defensiva daqueles cujas profissões exigem transparência e cooperação. Como Schreiber queria certificar-se de que, na tradução dos sermões, não haveria nenhuma interpretação errada, contactou o que afirma ser uma das agências de tradução mais conceituadas da Alemanha:

«A agência solicitou o envio da transcrição de um dos sermões para análise e estimativa de precificação. A agência recusou o trabalho. O texto foi considerado 'fora da alçada habitual de trabalho' dos tradutores, uma vez que não havia ninguém suficientemente seguro para traduzir correctamente este tipo de texto».

Achar um tradutor dos sermões proferidos no idioma turco também foi difícil: «o simples facto de estar interessado neste assunto resultava na imediata acusação de que o que eu realmente queria era instigar «atacar o Islão».

Schreiber também se viu diante de forte resistência ao procurar estudiosos alemães especializados no Islão para conversar com eles sobre o conteúdo dos sermões. Professores universitários, cujos salários são pagos pelos contribuintes alemães, recusaram-se em providenciar informações sobre matéria relacionada com a sua própria especialidade.

«Durante meses a fio, enviei consultas a diversas faculdades de estudos islâmicos com as quais trocávamos ideias na nossa função de editores. Uma universidade ficou a enrolar-me durante meses com a desculpa de que ainda estavam a procurar a pessoa certa. Em 16 de Dezembro, isto é, três meses depois do meu primeiro pedido, o professor de estudos islâmicos escreveu-me que já não havia tempo suficiente para marcar uma reunião. Quando respondi que, se necessário fosse, poderíamos marcar outra reunião no início de Janeiro, não recebi mais nenhuma resposta. Vários professores da universidade pediram-me para que lhes enviasse os sermões, o que eu fiz de imediato. Após enviá-los não recebi mais nenhum e-mail, sequer uma confirmação do recebimento».

Segundo Schreiber, todo este trabalho mostrou ser uma «experiência interessante», a despeito do facto de estudiosos de estudos islâmicos e especialistas em Islão «serem por demais prestativos em se disponibilizarem em conceder entrevistas sobre questões de política actual». Entretanto, esta abertura não existe, quando se trata de sermões em mesquitas alemãs: «inúmeros especialistas evitam-me após receberem as minhas perguntas, sem responderem, de forma consistente, aos meus e-mails». Um estudioso do Islão  aconselhou-me, indirectamente, a abandonar o projecto, porque isso poderia, «hipoteticamente», «aumentar ainda mais o abismo». Porquê isto? Porque, segundo este estudioso de estudos islâmicos, «mesmo leitores liberais e tolerantes poderiam facilmente achar estes textos extremamente incompreensíveis e estranhos, bem como grosseiros».

Políticos ingénuos

A conclusão de Schreiber sobre os sermões que presenciou:

«Após 8 meses de pesquisa devo dizer que as mesquitas são espaços políticos. A maioria dos sermões em que participei visava resistir à integração dos muçulmanos na sociedade alemã. Quando o assunto se voltava para o estilo de vida na Alemanha, isto acontecia primordialmente em contexto negativo. Normalmente os imãs retratavam a vida quotidiana na Alemanha como ameaça e exortavam as suas comunidades a resistirem. A característica comum de quase todos os sermões é o apelo aos fiéis para se fecharem e não compartilharem».

Em «todas as mesquitas praticamente», Schreiber notou a presença de «dezenas de refugiados que não estavam há muito tempo na Alemanha». Eles também tinham sido alertados para o perigo da integração: «fora da mesquita há muita conversa sobre integração, o contrário é pregado dentro dela».

O perigo desta abordagem fica evidente pelo assassinato de Farina S., uma afegã que foi assassinada na cidade bávara de Prien. Há oito anos ela abandonou o Islão, converteu-se ao cristianismo e, dois anos depois, fugiu para a Alemanha. Em 29 de Abril, foi assassinada por um muçulmano afegão em plena luz do dia. Inúmeros muçulmanos que moram na cidade foram ao funeral, ao passo que as associações de mesquitas faziam de conta que o assassinato não lhes dizia respeito. Karl-Friedrich Wackerbarth, pastor da igreja evangélica de Prien, onde Farima S. era filiada, pediu às associações que condenassem o crime. Em Outubro, meio ano após o assassinato, respondeu a um pedido do Gatestone Institute: «lamentavelmente, até hoje», salientou, «ninguém se manifestou».

Wackerbarth acha que as associações islâmicas não querem emitir um comunicado contra as fatwas emitidas pela Universidade Al-Azhar do Cairo e de outras, segundo as quais os «apóstatas» (aqueles que abandonam o Islão) devem ser mortos.

Este quadro levanta a questão da razão do governo alemão acreditar que as associações de mesquitas o ajude a resolver os problemas. Não faz muito tempo, a consagrada activista dos direitos humanos e crítica do Islão, Necla Kelek salientou:

«Os políticos que enfatizam repetidamente a intenção de cooperarem com as mesquitas, que convidam os seus membros para conferências sobre o Islão, não fazem ideia de quem está pregando o quê naquelas mesquitas».





segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Carta do maçon cardeal Ravasi: «Cari fratelli massoni,»


A FOTOMONTAGEM DA REALIDADE

O maçon cardeal Ravasi, responsável pela cultura de Bergoglio, enviou em 2015 uma carta aos maçons em que começa logo a tratá-los por «irmãos» [ fratelli ]. O desenvolvimento do texto, como se pode ver, é a negação da doutrina cristã em geral e da doutrina da Igreja sobre a maçonaria.

É no seu serviço «cultural» em Roma que se encontra acoitado o «irmão» (dele) Carlos Azevedo, bispo exportado para Roma depois de rebentar o escândalo de homossexualidade que o envolveu. É curioso notar que, mais uma vez, a maçonaria, aparece associada à homossexualidade e pedofilia, como foi nos grandes escândalos da Casa Pia e da Bélgica. O que não é de espantar pois a doutrina subjacente à maçonaria, incluindo a maçonaria eclesiástica, é o subjectivismo e consequente relativismo moral.

De recordar que, antes deste facto, o satânico Carlos Azevedo, então na calha mediática e palaciana para suceder ao «irmão» Policarpo, foi entrevistado por uma televisão, tendo aí afirmado que isso das guerras entre a Igreja e a maçonaria «são coisas do  passado» — como se não houvesse um antagonismo filosófico e religioso entre ambas.

Ravasi e Azevedo pretendem afinal esbater as diferenças e antagonismo entre a Igreja fiel e a maçonaria em prejuízo do cristianismo.

O DESAPARECIDO DE CÁ...

Eis o texto em francês.

FALSO      SINTOMÁTICO


CHERS FRÈRES MAÇONS,

J'ai lu il y a quelque temps dans un magazine américain que la bibliographie internationale sur la franc-maçonnerie dépasse cent mille titres. À cet intérêt contribuent certainement l'aura de secret et de mystère qui, plus ou moins à raison, enveloppent dans une sorte de nébuleuse les différents «obédiances» et «rites» maçonniques, sans parler de la genèse elle-même, qui selon l'historienne anglaise Frances Yates, «est l'une des questions les plus débattues et controversées dans le domaine de la recherche historique» (curieusement son essai était consacré aux «Lumières» des Rose-Croix).

Nous ne voulons évidemment pas pénétrer dans cet archipel des «loges», de l' «Orient», des «arts» (?) «affiliations» et dénominations, dont l'histoire souvent se confond — pour le meilleur ou pour le pire — avec celle politique de nombreuses nations (pensez, par exemple, à l'Uruguay où j'ai participé récemment à différents dialogues avec des représentants de la société et de la culture de tradition maçonnique), de même qu'il n'est pas possible de tracer les lignes de démarcation entre l'authentique, le faux, le dégénéré, ou la para-franc-maçonnerie et les différents milieux ésoteriques ou théosophiques.

Il est également ardu de dessiner une carte de l'idéologie qui régit un univers aussi fragmenté, pour lequel on peut peut-être parler d'horizon et de méthode plutôt que d'un système doctrinal codifié.

Au sein de ce domaine fluide, on rencontre toutefois certains carrefours assez marqués, comme une anthropologie fondée sur la liberté de conscience et d'intellect et sur l'égalité des droits, et un déisme qui reconnaît l'existence de Dieu, laissant toutefois mobiles les définitions de son identité. Anthropocentrisme et spiritualisme sont donc deux chemins assez balisés dans une carte très variable et mouvante que nous ne sommes pas en mesure d'ébaucher avec rigueur.

Nous, cependant, nous nous contentons simplement de signaler un petit livre intéressant qui a un but très circonscrit, définir la relation entre la franc-maçonnerie et l'Eglise catholique. Entendons-nous tout de suite: il ne s'agit pas d'une analyse historique de cette relation, ni d'une éventuelle contamination entre les deux parties. Il est en effet évident que la maçonnerie a assumé des modèles chrétiens, et même liturgiques. Nous ne devons pas oublier, par exemple, qu'au XVIIe siècle, de nombreuses loges anglaises recrutaient leurs membres et leurs maîtres dans le clergé anglican, tant, il est vrai que l'une des premières et fondamentales «constitutions» maçonniques a été écrite par le pasteur presbytérien James Anderson, mort en 1739. On y affirmait, entre autres choses, qu'un adepte «ne sera jamais un athée stupide ou un libertin irréligieux», même si le credo proposé à la fin était le plus vague possible, «celui d'une religion sur laquelle tous les hommes sont d'accord».

L'oscillation des contacts entre l'Eglise catholique et la franc-maçonnerie a connu des mouvements très variés, atteignant même l'hostilité ouverte, marquée par l'anticléricalisme d'un côté et les excommunications de l'autre.

En effet, le 28 avril 1738 le pape Clément XII, le florentin Lorenzo Corsini, promulgua le premier document explicite sur la franc-maçonnerie, la Lettre apostolique In eminenti apostolatus specula, dans laquelle il déclarait «se devoir de condamner et d'interdire... les Sociétés précitées, Unions, Réunions, Rencontres, Agrégations ou conventicules de Francs-maçons, ou tout autre nom qu'on leur donne». Une condamnation répétée par les papes suivants, de Benoît XIV jusqu'à Pie IX et Léon XIII, qui affirmmait l'incompatibilité entre l'appartenance à l'Eglise catholique et l'obéissance maçonnique. Lapidaire était le Code de droit Canonique de 1917, dont le canon 2335 récitait: «Ceux qui sont inscrits à la secte maçonnique ou d'autres associations du même genre qui complotent contre l'Eglise ou les autorités Civiles légitimes, encourent ipso facto l'excommunication réservée simpliciter au Saint-Siège».

Le nouveau Code de 1983 tempèrera la formule, évitant la référence explicite à la franc-maçonnerie, conservant la substance de la peine, quoique destinée de façon plus générique, à «celui qui donne son nom à une association qui complote contre l'Eglise» (Canon 1374). Mais le texte ecclésial le plus détaillé sur l'inconciliabilité entre l'adhésion à l'Eglise catholique et la franc-maçonnerie est la Declaratio de associationibus massonicci, émise par la Congrégation vaticane pour la doctrine de la Foi, le 26 Novembre 1983, sous la signature du Préfet d'alors le cardinal Joseph Ratzinger. Elle précisait justement la valeur de l'assertion du Nouveau Code de droit Canonique, réitérant que restait «inchangé le jugement de l'Église envers les associations maçonniques, parce que leurs principes ont toujours été considérés inconciliables avec la doctrine de l'Église, raison pour laquelle il restait interdit de s'y inscrire».

Le petit livre auquel nous nous référons maintenant est intéressant, parce qu'il inclut — en plus d'une introduction du Préfet de la Congrégation le Cardinal Gerhard Müller  deux articles de commentaires à cette Declaratio, publiés à l'époque par «l'Osservatore Romano» et par «La Civiltà Cattolica», deux documents d'autant d'épiscopats locaux, la Conférence épiscopale allemande (1980) et celle des Philippines (2003). Il s'agit de textes significatifs, car ils abordent les raisons théoriques et pratiques de l'inconciliabilité entre la maçonnerie et le catholicisme, comme les concepts de vérité, de religion, de Dieu, de l'homme et du monde, la spiritualité, l'éthique, les rituels, la tolérance.

La méthode adoptée par les évêques philippins qui articulent leur discours à travers trois trajectoires (celle historique, celle plus explicitement doctrinale et celle des orientations pastorales) est particulièrement significative.

Le tout est rythmé selon le genre catechétique des questions-réponses: il y en a 47, et elles permettent également d'entrer dans les détails, comme la cérémonie d'initiation, les symboles, l'utilisation de la Bible, la relation avec les autres religions, le serment de fraternité, les grades hiérarchiques et ainsi de suite.

Ces diverses déclarations d'incompatibilité entre les deux appartenances, à l'Eglise et à la franc-maçonnerie, n'empêchent cependant pas le dialogue, comme l'indique explicitement le document des évêques allemands qui déjà à l'époque énumérait les domaines spécifiques de confrontation, comme la dimension communautaire, la bienfaisance, la lutte contre le matérialisme, la dignité humaine, la connaissance réciproque. On doit également surmonter cette attitude de certains milieux catholiques intégristes, lesquels — pour frapper certains membres de la hiérarchie de l'Eglise qui n'ont pas l'heur de leur plaire — recouraient à l'arme de l'accusation apodictique d'une appartenance maçonnique.

En conclusion, comme l'écrivaient déjà les évêques d'Allemagne, il faut aller au-delà de l'hostilité, des outrages, des préjugés réciproques, parce que «par rapport aux siècles passés, le ton, le niveau et la manière de manifester les différences, ont changé et se sont améliorés, bien que celles-ci perdurent clairement».

FALSO      SINTOMÁTICO