domingo, 8 de outubro de 2017

A Correctio Filialis encontra um aliado involuntário em Joseph Ratzinger



Carlos Esteban, Ifovaticana, 7 de Outubro de 2017

Cuando cuatro cardenales hicieron pública su respetuosa petición al Papa para que aclarara determinados puntos oscuros de la exhortación Amoris Laetitia, las famosas Dubia, el anuncio inició un debate en sordina sobre cuestiones centrales para la fe que afectan a tres sacramentos e incluso al concepto mismo de pecado.

Pero el segundo capítulo de esta saga, la «correctio filialis» firmada por una cuarentena de teólogos y pensadores a los que se han sumado muchos otros, plantea un nuevo debate en la Iglesia: ¿es lícito por parte de los fieles criticar las enseñanzas de un Pontífice?

De hecho, el grueso de los ataques por parte de los teólogos de corte y sus aliados mediáticos ha consistido, más que en responder a las gravísimas acusaciones que contiene el escrito, a cuestionar la licitud de la medida en sí, así como a desdeñarla aludiendo al reducido número de los firmantes y a su escaso brillo en un sector, el teológico, por lo demás jerarquizado de acuerdo a criterios más periodísticos que objetivos.

Pero los partidarios de la corrección han encontrado un aliado de peso, si bien absolutamente involuntario por lo que sabemos, en el Papa Emérito y predecesor de Francisco: Benedicto XVI.

La persona, en realidad, no el Papa, ya que deberíamos hablar de Joseph Ratzinger, que ya en 1969 sostenía que criticar las declaraciones papales no solo era posible, sino aun necesario, si el Pontífice se desviaba del Depósito de la Fe y la Tradición Apostólica.

Ya Papa, Benedicto XVI incluyó estos mismos comentarios en una antología de sus escritos publicada en 2009 bajo el título ‘Fe, Razón, Verdad y Amor’. En ellos, el ahora Papa Emérito explica literalmente que las críticas a los pronunciamientos papales «serán posibles e incluso necesarias, siempre que estas carezcan de apoyo en la Escritura y el Credo, es decir, en la fe de toda la Iglesia».

Cuando no se dispone ni del consenso de toda la Iglesia ni de evidencias claras en las fuentes, no es posible una decisión definitiva vinculante. Si se tomara una de manera formal, carecería de las condiciones para tal acto, y por tanto habría que cuestionar su legitimidad».

Los límites de la infalibilidad papal y la obligación de cualquier fiel de resistir doctrinas contrarias al Depósito de la Fe han sido temas que parecen haber preocupado a Ratzinger a lo largo de toda su carrera eclesial. Así, en 1998, como Prefecto para la Doctrina de la Fe, escribía: «El Romano Pontífice, como todos los fieles, está sujeto a la Palabra de Dios, a la fe católica, y es garante de la obediencia de la Iglesia; en este sentido es servus servorum Dei. No toma decisiones arbitrarias, sino que es portavoz de la voluntad del Señor, que habla al hombre en las Escrituras, vividas e interpretadas por la Tradición; en otras palabras, el ‘episkope’ de la primacía tiene límites fijados por la ley divina y por la constitución divina e inviolable de la Iglesia que se halla en la Revelación. El Sucesor de Pedro es la roca que garantiza una rigurosa fidelidad a la Palabra de Dios frente a la arbitrariedad y el conformismo: de ahí la naturaleza martirológica de su primado».





segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Aquilo que fez e que quer fazer o «Papa Jesus II», o Demolidor



Antonio Socci, Libero24 de Setembro de 2017

Nenhum papa até agora tinha ousado atribuir-se o nome de São Francisco de Assis, o «outro Cristo». Bergoglio fê-lo. Mas ele –no livro entrevista que acaba de ser publicado, com Dominique Wolton, «Politique et societé» – como uma «excusatio non petita» (porque ninguém lhe havia pedido) diz em tom de brincadeira que não foi um acto de soberba, mas, ao contrário, de humildade, porque teria podido chamar-se «Jesus II». Obviamente, sublinha que está brincando (também Arlecchino se confessou que estava brincando…) [ndt.: em italiano, Socci faz referência ao Arlequim, personagem teatral que usava máscaras para dizer, em forma de piada, as verdades que não podiam ser ditas doutro modo. Em português soa como «toda a brincadeira tem um fundo de verdade»].

Mas descortina piadas sobre a presunção dos argentinos («Sabe qual é o melhor negócio? Comprar um argentino pelo seu valor e vendê-lo pelo valor que ele pensa ter»). Acrescenta que um argentino se suicida jogando-se do alto do seu Ego…

Em suma, exibe muita auto-ironia sobre o Ego dos argentinos, e assim tenta dar a entender que ali existe um problema. Talvez um problemão, aquele que há muitos anos tentou – inutilmente – resolver com a psicanalista.

Talvez seja este o seu modo, inclusive, de pedir ajuda. Mas, a essa altura, o homem parece ser um prisioneiro da máquina de guerra que se chama Egolatria na forma de uma papolatria planetária.

O característico deste pontificado é, de facto, a enormidade das ambições.

Bergoglio parece querer «refundar» a Igreja e quase propor-se, de verdade, como um «papa Jesus II», coisa que significa, porém, dispensar o próprio verdadeiro Fundador, Cristo, o qual – conhecendo os seus – percebeu que as suas palavras e os seus mandamentos permanecem para sempre e não mudam com o tempo (Mt 24,35).

Jesus chegou a fulminar o primeiro papa chamando-o de «Satanás», quando Pedro se pôs a raciocinar «segundo os homens e não segundo Deus» (Mc 8, 33). O risco sempre existe. Assistimos hoje à refundação bergogliana que «corrige» o próprio Jesus, adequando-o aos tempos e aos homens.

Em Amoris Laetitia, pretende, de facto, ser mais misericordioso que Cristo (que era um rigorista, ao contrário dos fariseus, que eram «bergoglianos») [ndt.: aqui, Socci refere-se ao facto, já comentado anteriormente, que os fariseus defendiam o segundo casamento, aferrados à casuística, enquanto Cristo aboliu o divórcio em todos os casos].

A ambição do papa argentino foi, inclusive, declarada por um dos seus mais estreitos colaboradores, numa entrevista ao «Corriere della sera», em 10 de Maio de 2015.

IRREVERSÍVEIS

O seu braço direito, Dom Victor Manuel Fernández, disse textualmente: «É necessário saber que ele (Bergoglio) pretende reformas irreversíveis».

Uma frase que pode ter uma interpretação muito revolucionária e heterodoxa para a Igreja.

De facto, a Igreja pertence a Jesus Cristo, não ao papa. Os papas são apenas os seus custódios temporários, não os proprietários: não têm um poder que se estende pelos séculos dos séculos, como Cristo.

Por definição, «irreversível» é apenas a Lei de Deus, que está nas Sagradas Escrituras e no magistério constante da Igreja.

Os papas estão submetidos a esta lei, não são os donos dela. Estes devem ser como os motoristas do carro que leva a Esposa (a Igreja, a propósito) ao encontro do Esposo (o próprio Cristo).

Se um motorista se apropriasse da Esposa mudando o seu destino e o fizesse de modo irreversível, quer dizer que se colocaria como substituto do verdadeiro Esposo. Como se fosse um «Jesus II».

Mas isso não é permitido ao motorista da Esposa. «Jesus é um esposo ciumento», dizia o Cardeal Biffi.

De facto, o mandato que Jesus deu a Pedro e a todos os seus sucessores não é efectivamente o de «mudar» a Igreja (e muito menos de modo «irreversível»), mas – pelo contrário – de «guardá-la» (guardar o «depositum fidei» confirmando os irmãos na fé).

O papa – por definição – pode ser apenas «conservador», de outra forma não é mais papa. O seu ministério é guardar íntegra a fé da Igreja. Não fazer dela uma prostituta ao serviço do mundo.

COMO UMA ONG DE GEORGE SOROS

Por fim, vamos às mudanças «irreversíveis» do bergoglianismo. A mais vistosa é a transformação da Igreja – aos olhos do povo –, de uma realidade sobrenatural que conduz à salvação eterna, a uma agência humanitária que professa uma religião totalmente social e política, centrada nas migrações de massa como se fossem o Sumo Bem, no ecologismo catastrofista e no abraço acrítico com o Islão. A Igreja bergogliana, centrada sobre estes «direitos humanos», notava há alguns dias Ernesto Galli della Loggia no «Corriere della sera», «sobrepõe-se a outras presenças organizativas, ideológicas e políticas, que não têm nada a ver com a tradição. A começar, obviamente, pelas grandes organizações internacionais como a ONU ou a FAO».

Galli afirma ainda que «uma análoga e ampla sobreposição existe, ademais, em relação aos componentes, por assim dizer, laico-progressistas, próprios do universo ideológico dos Países ocidentais, componentes que, também estes, nada têm a ver com a tradição católica» e que têm programas, especialmente em matéria de costumes, «que decerto são estranhos» à «Igreja de Roma».

Galli della Loggia prossegue advertindo que os temas da Igreja bergogliana se sobrepõem também àquela ideologia humanitária «que hoje anima a transbordante presença pública de algumas riquíssimas e influentíssimas figuras de «filantropos mundialistas» – não teria outro modo de chamá-los: como Soros, Zuckerberg ou Bezos – já erigidos a nível de verdadeiros profetas mediáticos: também estes não apenas estranhos, mas ostensivamente hostis ao cristianismo católico».

Uma tal transformação da Igreja era auspiciada há tempos por todos os seus inimigos. Como Ludwig Feuerbach, que escreveu que para «matar o cristianismo» não serviria recorrer à «perseguição», a qual «ainda mais o alimenta e reforça». A sua destruição pode acontecer apenas de outro modo: «Será através da irreversível transformação interna do Cristianismo em humanismo ateu com a ajuda dos próprios cristãos, guiados por um conceito de caridade que nada terá a ver com o Evangelho».

DEMOLIÇÃO

Então, aqui estamos. Mas, antes é preciso acabar de abater a catedral bimilenar da Igreja católica.

Depois de Amoris Laetitia que – segundo cardeais e bispos católicos – mina três sacramentos fundamentais (a confissão, a eucaristia e o matrimónio), uma outra matança se deu com o recente Motu proprio sobre as traduções dos livros litúrgicos, feito à revelia do Cardeal Sarah, Prefeito da Congregação para o Culto Divino.

Segundo muitos, abre-se o caminho para legitimar um ataque final à Eucaristia e ao sacerdócio. Corremos o risco de caminhar rumo a uma progressiva fusão com os ritos protestantes, que seria «a abolição do sacrifício» e o fim da própria Igreja católica (a propósito, entre os bergoglianos, já se tornou normal definir «a Reforma protestante como uma bênção para a Igreja»).

Mas em Santa Marta circulam também outras ideias «revolucionárias» (o adjectivo que Scalfari aplica sempre a Bergoglio). Uma das quais é, inclusive, a abolição do próprio Estado do Vaticano, que permitiria ao papa argentino passar para a História como aquele que definitivamente varreu com um só toque a Cúria vaticana e o «poder temporal» da Igreja (argumento a que o próprio Scalfari sempre retorna nos seus colóquios com Bergoglio).

É um objectivo muito difícil. Mas, como toda esta revolução está tumultuando e pondo em guerra boa parte do mundo católico e é previsível que leve a uma sublevação no colégio cardinalício, Bergoglio está fazendo estudar, nas lacunas do Direito Canónico, a excepcionalidade de situações que permitiriam que ele mesmo nomeasse o seu sucessor, desautorizando os cardeais e tornando verdadeiramente «irreversível» a sua revolução.

No fundo, Dom Fernandez já prefigurava algo do género na sua entrevista ao Corriere: «os próprios cardeais podem desaparecer, no sentido em que não são essenciais. Essenciais são o Papa e os bispos».

E ainda: «A Cúria vaticana não é uma estrutura essencial. O Papa poderia, inclusive, ir morar fora de Roma, ter um dicastério em Roma e outro em Bogotá, e talvez conectar-se por videoconferência com os especialistas em liturgia, que morariam na Alemanha» (ndt.: essa mesma ideia já havia sido cogitada por, nada mais, nada menos que, Leonardo Boff, num seu artigo de 2013).

Será assim a Igreja do Papa Jesus II?





sábado, 23 de setembro de 2017

Questões subterrâneas da questão catalã


A propósito dos «argumentos» do pasquim
castelhano-maçónico «El País»
na linha geral do mundialismo...

( Comentário em 8 perguntas e 8 respostas )

Heduíno Gomes

O pasquim castelhano-maçónico «El País» está sempre na linha da frente a defender o imperialismo regional castelhano, e, naturalmente, a atacar e tentar achincalhar Portugal. Agora, que tem mais que fazer com a batata quente da Catalunha, deixa-nos um pouco em paz  e centrou-se em «refutar» as posições do Governo catalão . . .

1 — Com que argumentos?

Do «direito».

2 — Que «direito»?

O «direito» estabelecido pelas armas castelhanas ao longo dos séculos. (Se são tão pelo direito, porque não devolvem de imediato Olivença a Portugal?)

3 — Além do «direito» das armas castelhanas, com que mais argumenta o pasquim castelhano-maçónico?

Questões processuais deturpadas, manipuladas. Anátemas sobre os independentistas. Conversa politiqueira.

4 — E quanto ao essencial, que é o verdadeiro direito, o que têm todas as nações a escolher o seu caminho, incluindo o da sua independência?

Zero.


5 — Que relação tem a questão da independência da Catalunha com a maçonaria e o apoio desta ao imperialismo regional castelhano?

A maçonaria corrente é apenas um dos instrumentos da alta maçonaria mundial, a que puxa os cordelinhos mundiais do poder. A maçonaria corrente obedece à alta maçonaria.

A alta maçonaria mundial está empenhada na instalação de um governo mundial.

Para instalar um governo mundial, tem de aniquilar a identidade e a independência das nações (por aí, nas televisões, os seus propagandistas falam de nacionalismo como de uma doença, idêntica a fascismo...).


6 — Que relação tem a questão da independência catalã com a União Europeia e o apoio desta ao imperialismo regional castelhano?

A União Europeia é dominada pela maçonaria e integra o grande plano mundialista. A actual União Europeia, oposta às nações, é considerada um estado transitório, intermédio, para atingir o plano mundialista.

A linha geral da actual União Europeia é a mesma da maçonaria mundial e passa pelo aniquilamento da identidade das nações e da sua independência (as declarações anticatalãs dos responsáveis europeus ilustram-no bem).

É muito mais fácil controlar uma Catalunha submetida a Castela do que uma Catalunha independente. É bom lembrar que o iberismo é um subproduto da maçonaria.

7 — E não haverá também maçons entre os patriotas catalães?

Certamente haverá maçons entre os patriotas catalães, tal como haverá católicos, gente de esquerda e gente de direita. O sentimento patriótico é comum a várias sensibilidades políticas e ideológicas.

8 — Como podem os maçons catalães estar do lado dos patriotas?!

É preciso distinguir dois aspectos da questão.

Por um lado, temos a maçonaria corrente, com a sua filosofia subjectivista e relativista e o seu alinhamento orgânico com a alta maçonaria, e portanto ao serviço da degradação moral e política das nações segundo o plano mundialista superiormente estabelecido.

Por outro lado, temos as pessoas dos maçons.

Uns maçons são fiéis executores das directivas dos seus mestres máximos, superiores aos grão-mestres correntes, e são-no ou por convicção ou por carreirismo ou outro interesse pessoal.

Outros maçons são pessoas idealistas, acreditando nos slogans da «Liberdade-Igualdade-Fraternidade», «livre-pensamento» e semelhantes, empenhados em servir o bem comum, mas que ainda não compreenderam — e talvez mesmo nunca venham a compreender — a falsidade da doutrina maçónica, que não serve o bem comum e a ele se opõe.

Contudo, na prática e em questões pontuais, essas pessoas idealistas filiadas na maçonaria, apesar de não serem de pensamento verdadeiramente livre, têm por vezes o discernimento suficiente para se libertarem das directrizes superiores e mesmo de alguns aspectos da doutrina. Estas pessoas, pontualmente, podem até servir a Civilização, a Nação e o bem comum.

É o caso dos maçons que defendem a família natural e se opõem ao homossexualismo — promovido principalmente pela maçonaria irregular, como o foi de modo explícito em 2009.

É o caso dos maçons que defendem uma justiça recta e combatem a corrupção e a pedofilia — abafadas pela «solidariedade entre irmãos».

Em Portugal, é o caso dos maçons que defendem Portugal e se opõem ao grande plano mundialista —  do qual o europeísmo antipátrias, que ouvimos da boca de vários políticos, é instrumento.

E na Catalunha, é o caso dos maçons que participam no movimento independentista catalão.

Trata-se, afinal, da luta entre uma ideologia nefasta, imposta em nome do «livre-pensamento», e a consciência moral de cada um.

OBSERVAÇÃO:

Não deixa de ser interessante uns democratas, republicanos e antifascistas encartados — na realidade contaminados pelo mundialismo da maçonaria... — que por aí há defenderem o imperialismo castelhano da monarquia castelhana, da Falange fascista e do Franco que só não se aliou a Hitler porque recebeu umas lições de Salazar...

O mesmo podemos dizer de uns monárquicos portugueses que, porque o Estado espanhol é uma monarquia, colocam o regime acima da verdade histórica, da justiça e dos próprios interesses geoestratégicos e independência de Portugal. Afinal como é a hierarquia de valores para esses monárquicos? O que está por cima, Portugal ou o regime? E de que lado estariam eles e os seus antepassados em 1383 e em 1640?






terça-feira, 19 de setembro de 2017

«A Importância da Cultura Portuguesa na Defesa Nacional»









Parceiro Institucional

O Presidente da Sociedade de Geografia de Lisboa tem a honra de convidar V. Exª para participar no Ciclo de Conferências «A Cultura e a Defesa Nacional», promovida pela Secção de Ciências Militares.

A sessão terá lugar no dia 26 de Setembro de 2017 pelas 17h30 no Auditório Adriano Moreira.

Será orador o TCor. João José Brandão Ferreira que desenvolverá o tema:

«A Importância da Cultura Portuguesa na Defesa Nacional»
Rua das Portas de Santo Antão, 100 1150-269 LISBOA Tel.: 21 3425401/5068 geral@socgeografialisboa.pt www.socgeografialisboa.pt





segunda-feira, 18 de setembro de 2017

O frade-feijão está com Bergoglio, claro...

Bento Domingues com o ex-Grão Mestre do GOL (maçonaria irregular) António Reis,
o artesão do chamado «casamento» entre indivíduos do mesmo sexo.

Luís Lemos

Bergoglio entrou com pezinhos de lã mas, a cada bacorada que produzia, a sua máscara foi caindo. Hoje, são muitos mais os católicos que percebem os seus propósitos e até os mais ingénuos começam a acordar...

Entretanto, ao início, os bergoglistas limitavam-se a enaltecer o apóstata. Mas, à medida que aumentou a reacção às frequentes calinadas de Bergoglio, os seus apaniguados vêem-se na necessidade de atacar os defensores da doutrina cristã.

É o caso do frade-feijão Bento Domingues, que acaba de publicar no Público (17.9.2017) um artigo  com o objectivo de atacar os críticos do apóstata...

Este velhaco deste Bento Domingues, maçonzito e membro da seita «Nós Somos Igreja» (uma seita internacional do tipo ILGA disfarçada de católica), com a sua máscara de crente, já rejubilava com a eleição do seu comparsa Bergoglio e por cada calinada do chefe. Contudo, agora, com o aumento da resistência interna a Bergoglio, já sente a necessidade de vir atacar os defensores coerentes da doutrina cristã.

Bento Domingues na sua linha anticristã e submarxista. 
Não deixa de ser curiosa a conversa do hipócrita.

Não deixa de ser curiosa a conversa do hipócrita.

As posições dos papas legítimos, seguindo a doutrina cristã, eram atacadas por este submarxista como se fossem anticristãs. Isto é, começando por ele próprio, não havia obediência ao papa.

Agora, que o seu anticristianismo relativista, maçónico, mundialista, submarxista e até homossexualista é vomitado em Roma, já quer a obediência dos católicos, isto é, já quer os católicos obedeçam ao «papa», isto é, ao apóstata Bergoglio, que usurpou a cadeira de Pedro.

É natural que sejam indivíduos como este a defender tanto o apóstata Bergoglio.

( Depois, além deste frade-feijão, aparecem também uns tantos graxistas que por aí vemos sempre do lado dos que mandam, antes prò-João Paulo II e prò-Bento XVI — que mandavam — e agora prò-Bergoglio — que manda. Esta é outra raça de gente que também não é de confiança. )






terça-feira, 12 de setembro de 2017

Petição dirigida à: População portuguesa e entidades governativas


Petição contra a ofensiva e ditadura homossexualista
na sociedade civil através da chamada «Comissão para a Cidadania
e a Igualdade de Género»


Ex.mo Senhor Presidente da República,

Ex.mo Senhor Presidente da Assembleia da República,

Ex.mo Senhor Primeiro-Ministro,

Ex.mo Senhor Presidente do Tribunal Constitucional,

1 — Diversos sectores do Estado português e certas instituições privadas beneficiando de apoios e protecções do Estado têm vindo a ser infiltrados pelo lóbi que se opõe à família natural e promove a ideologia homossexualista «do género», a qual, como é sabido, pretende que o sexo de cada pessoa é uma opção de cada um e não aquele com que nasce, condição que o lóbi qualifica simplesmente de género.

2 — Esses sectores do Estado e essas instituições tornaram-se assim instrumentos desse lóbi, que os utiliza para influenciar as pessoas através dos mais variados canais e exercer uma ditadura do seu pensamento sobre a esmagadora maioria dos Portugueses.

3 — A chamada «Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género» é o principal instrumento do lóbi homossexualista no Estado. Através dos seus próprios conceitos homossexualistas, pareceres homossexualistas e pressões homossexualistas, exerce uma ditadura homossexualista sobre a sociedade civil, as empresas, os meios de comunicação, os professores, as crianças, as famílias, as pessoas, os candidatos a cargos políticos e até sobre o próprio legislador. Toda esta ditadura homossexualista procura destruir a família natural e afecta a harmonia familiar, a educação, a saúde mental das crianças, jovens e adultos, a economia e até põe em causa a defesa nacional.

4 — Recentemente, esta chamada «Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género» exerceu pressão sobre uma empresa editorial para retirar do mercado dois livros, um destinado a meninos e outro destinado a meninas. Para além do já referido aspecto de destruição da identidade sexual das crianças e consequentemente do tecido social e nacional, trata-se de um grave atentado à liberdade das pessoas e à liberdade de educação, um acto apenas qualificável como homonazi.

5 — O Ministro Adjunto Eduardo Cabrita prontificou-se a dar imediata cobertura política a esta chamada «Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género», confirmando assim a sua adesão à política do homonazismo e a comunhão de interesses que une todos os do lóbi.

6 — Esta ditadura homossexualista viola a liberdade das pessoas, direitos expressos na Constituição da República Portuguesa, que os membros do lóbi tanto proclamam prezar mas que afinal pretendem violar. Especificamente, os ditadores homonazis violam o número 5 do Artigo 36.º, os números 1 e 2 do Artigo 37.º, os números 1 e 2 do Artigo 41.º  e o número 2 do Artigo 43.º  da Constituição da República Portuguesa.

7 — Acresce que esta manobra ditatorial para uniformizar a educação das crianças segundo os conceitos homossexualistas viola também o direito natural, inalienável e inegociável das famílias a escolherem a educação a dar aos seus próprios filhos, direito aliás expressamente proibido ao Estado no já referido número 2 do Artigo 43.º da Constituição da República Portuguesa.

8 — Acresce ainda que o direito dos pais a escolherem a educação para os seus filhos é um direito acima de quaisquer  normas estabelecidas por mentes doentes de quaisquer burocratas de uma qualquer comissão ou administração.

9 — Perante tais violações dos direitos das pessoas e das famílias e atentados à saúde física e mental das crianças, jovens e adultos, à Constituição e à defesa nacional, a União das Famílias Portuguesas vem reclamar:

a) a demissão imediata do Ministro Adjunto Eduardo Cabrita;

b) a extinção imediata da chamada «Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género»;

c) a suspensão de todos os projectos do Estado baseados na ideologia homossexualista do «género»;

d) a proibição de qualquer órgão do Estado exercer a ditadura homossexualista do «género»;

e) o fim dos apoios e protecções do Estado a quaisquer instituições privadas promotoras da ideologia homossexualista do «género».


Lisboa, 25 de Agosto de 2017
                                                  
A União das Famílias Portuguesas
Atenciosamente,

Acabei de assinar a Petição contra a ofensiva e ditadura homossexualista na sociedade civil através da chamada «Comissão para a Cidadania e a Igualdade em CitizenGO , endereçada à População portuguesa e entidades governativas.

Penso que se trata de um tema importante e ficaria grato se você também assinasse a petição.

Aqui está o link:



Muito obrigado!





sábado, 9 de setembro de 2017

O caso Seifert: Quem se separa da Igreja?



El pasado 31 de agosto, monseñor Javier Martínez Fernández, arzobispo de Granada, tras suspender de sus labores docentes al filósofo austriaco Josef Seifert, lo ha expulsado de la Academia Internacional de Filosofía, entre cuyos fundadores se encuentra, pero que actualmente depende de la archidiócesis.

Hay que tener presente que el profesor Josef Seifert está considerado uno de los mayores filósofos católicos contemporáneos. Su curriculum y su bibliografia ocupan numerosas páginas. Pero ante todo es de destacar su fidelidad al Magisterio pontificio, que le ha valido ser elegido miembro de la Pontificia Academia para la Vida. Cualquier universidad católica consideraría un honor tenerlo en su cuerpo docente. ¿Cual es el motivo de la drástica medida tomada con él? Según un comunicado del la archidiócesis, el motivo de su expulsión es un artículo en el que el profesor Seifert hacía una súplica a propósito de la exhortación postsinodal Amoris laetitia del papa Francisco. En el artículo de marras, Seifert ha solicitado al papa Francisco que se desdiga de una afirmación de Amoris laetitia a partir de la cual, en pura lógica, puede derivar la disolución de toda la enseñanza moral católica.

Seifert cita la afirmación de Amoris laetitia según la cual la conciencia de los matrimonios adúlteros o, dicho de otro modo, irregulares, «puede reconocer no sólo que una situación no responde objetivamente a la propuesta general del Evangelio. También puede reconocer con sinceridad y honestidad aquello que, por ahora, es la respuesta generosa que se puede ofrecer a Dios, y descubrir con cierta seguridad moral que esa es la entrega que Dios mismo está reclamando en medio de la complejidad concreta de los límites, aunque todavía no sea plenamente el ideal objetivo» (AL, n.º 303).

O sea, comenta Seifert, que además de definir el estado objetivo de pecado grave como «todavía no plenamente el ideal objetivo», Amoris laetitia afirma que podemos saber con «una cierta seguridad moral» que Dios mismo nos pide que cometamos actos intrínsecamente malos, como el adulterio o la homosexualidad activa. El filósofo austriaco plantea ante este punto lo siguiente:

«Yo pregunto si puede la pura lógica fallar cuando nos preguntamos bajo estas premisas: si solo un caso de un acto intrínsecamente inmoral puede ser permitido e incluso querido por Dios, ¿no debe esto aplicarse a todos los actos considerados intrínsecamente malos? Si es cierto que Dios puede querer que una pareja de adúlteros viva en adulterio, ¿no debería entonces también el mandamiento ‘¡No cometerás adulterio!’ ser reformulado (…) ¿No deben eliminarse también los otros nueve mandamientos, la Humanae Vitae, Evangelium Vitae y todos los documentos, dogmas y concilios pasados, presentes y futuros de la Iglesia que enseñan la existencia de actos intrínsecamente malos? (…) ¿No deben entonces, desde la pura lógica, considerarse buenas y dignas de alabanza la eutanasia, el suicidio asistido o el suicidio mismo, la mentira, el robo, el perjurio, negar a Cristo o traicionarlo como San Pedro, o el asesinato, en determinadas circunstancias y después de un debido discernimiento a causa de la complejidad de cada situación concreta?». A continuación dirige la súplica al papa Francisco: «Rogaría a nuestro supremo Padre espiritual en la Tierra, el ‘dulce Cristo en la Tierra’, como llamó Santa Catalina de Siena a un pontífice, bajo cuyo reinado vivió aunque lo criticara duramente (…) que retire dicha afirmación. Si sus consecuencias lógicas conducen inevitablemente a nada menos que a la total destrucción de las enseñanzas morales de la Iglesia Católica, ¿no debería el ‘dulce Cristo en la Tierra’ retirar dicha afirmación? Si dicha tesis lleva como consecuencia lógica convincente al rechazo del hecho de que haya actos que deben ser considerados intrínseca y moralmente malos bajo cualquier circunstancia y en cualquier situación, y si esta aseveración llegara a desvirtuarse, siguiendo la Familiaris Consortio y la Veritatis Splendor, así como la Humanae Vitae y muchas otras enseñanzas solemnes de la Iglesia, ¿no debería ser revocada? (…) ¿Y no deberían todos los cardenales, obispos, sacerdotes, monjes y vírgenes consagradas, y cualquier laico en la Iglesia, interesarse vivamente por este problema y unirse a esta súplica apasionada de un humilde laico, un simple profesor de filosofía y, entre otras materias, de lógica?». No ha habido la menor respuesta a la cuestión presentada por el profesor Seifert. El comunicado de la archidiócesis de Granada se limita a afirmar que la postura del filósofo «daña la comunión de la Iglesia, confunde la fe de los fieles y siembra desconfianza en el sucesor de Pedro, lo que al final no sirve a la verdad de la fe, sino a los intereses del mundo». La diócesis granadina añade que «adoptó como suyos, desde el primer momento, la aplicación del texto pontificio preparada por los obispos de la Región de Buenos Aires», es decir, de seguir las pautas de los obispos argentinos que en su documento, aprobado por el papa Francisco, consienten a los adúlteros el acesso a la comunión.

La actitud del arzobispo de Granada se resume en la prohibición de hacer preguntas que, según el filósofo Eric Voegelin, caracteriza a los regímenes totalitarios. En base al mismo criterio se expulsa de la Pontificia Academia para la Vida a los católicos fieles a la ortodoxia de la Iglesia empezando por el propio Seifert, los maestros más ortodoxos son expulsados de los colegios y universidades católicos y los sacerdotes fieles a la Tracición son transferidos a otras parroquias y en algunos casos suspendidos a divinis.

¿Qué les pasará a los cardenales si llegan a hacer su corrección fraterna? Esta lógica represiva abre las puertas al cisma en la Iglesia. El único argumento que pueden utilizar los fanáticos de Amoris laetitia contra los críticos de dicho documento es el endeblísimo de la «ruptura de la comunión». Pero quienes plantean objeciones a la exhortación pontificia, invocan la doctrina inmutable de la Iglesia y no tienen la menor intención de abandonar. Si por su fidelidad al Magistero son sancionados oficialmente, quien los sanciona realiza un acto de autoseparación de dicho Magisterio. Los artículos del profesor Josef Seifert están motivados por el amor a la Iglesia y sobre todo a la Verdad. El prelado que lo  castiga se aparta de la ley natural y divina que prohíbe sin excepciones ni concesiones el adulterio, el homicidio y otros pecados graves. Al acusarlo de romper la unidad con el Papa, el prelato demuestra que existe un magisterio del papa Francisco incompatible con el Magisterio de la Iglesia de siempre. Monseñor Martínez Fernández ha castigado al profesor Seifert porque éste pedía al Papa, con tono humilde y respetuoso, que se desdijera de una afirmación que conduce al adulterio y a la dissolución de la moral.

Por consiguiente, en la diócesis de Granada, como en la de Malta, las de Argentina y tantas otras de la Cristiandad, para estar en comunión con el papa Francisco es preciso admitir, al menos en ciertas ocasiones, la licitud del adulterio y de otras transgresiones a la ley moral. El papa Francisco es el sucesor de San Pedro, pero Nuestro Señor no dice: quien me ame debe seguir ciegamente al sucesor de San Pedro, sino: «si me amáis, guardaréis mis mandamientos» (Jn. 14, 15-21). Si el Pastor Supremo se apartase de los mandamientos de Dios e invitara a la grey a seguirlo, los fieles deberían apartarse de él, porque «hay que obedecer a Dios antes que a los hombres» (Hch. 5, 29). Si estar en comunión con el papa Francisco significa estar obligado a abrazar el error, quien quiera permanecer en la verdad de Cristo está obligado a apartarse del papa Francisco. Esto es lo que afirma públicamente monseñor Martínez Fernández, arzobispo de Granada.





segunda-feira, 28 de agosto de 2017

A guerra dos géneros e as falsificações científicas


Mário Amorim Lopes

O pénis é uma construção social? Há uma perspectiva machista dos icebergs? Um ensaio de Mário Amorim Lopes discute a «ciência» que pretende sustentar a guerra dos géneros e o politicamente correcto.
  1. A calçada portuguesa e o machismo…
  2. …e uma perspectiva machista para o iceberg
  3. As teorias sobre o sexo como «construção social»
  4. O problema é… a Biologia
  5. O papel da escola de Frankfurt
  6. Dos livros da Porto Editora à Google
  7. A ditadura do politicamente correcto
Em 1996, o físico e professor universitário (New York University e University College of London) Alan Sokal submeteu um artigo científico para uma reputada revista de estudos culturais pós-modernos, a Social Text. Obstante a prosaica área científica, até aqui nada de surpreendente. No artigo, Sokal postula que a gravidade quântica (ramo da física teórica que procura explicar a gravidade à luz da mecânica quântica) é uma construção social e linguística, teoria que pelos vistos não surpreendeu os editores da revista, que a publicaram.

Em Maio do corrente ano, dois outros académicos, Peter Boghossian e James Lindsay, decidiram renovar a partida académica e submeteram um trabalho para a Cogent Social Sciences, revista indexada nos principais meios de divulgação científica. Defendem os autores que o órgão genital masculino, o pénis, é, em boa verdade, uma construção social. Fazem-no «através de um criticismo discursivo pós-estruturalista detalhado e do exemplo das alterações climáticas».

O artigo, referem ainda no resumo, «questiona a prevalente e prejudicial mistificação social de que os pénis são melhor entendidos como órgãos sexuais masculinos, e atribuir-lhe-á um papel mais adequado enquanto tipo de desempenho masculino». Dadaísta? Era esse um dos objectivos — testar a filtragem do nonsense na arbitragem por pares nas revistas do género. O artigo foi aceite e publicado, tendo sido removido apenas após os próprios autores fazerem a denúncia do caso.

A calçada portuguesa e o machismo…

Também eu próprio não resisti à tentação de fazer uma partida académica, que mais do que uma partida visava denunciar a epistemologia muito questionável desta área de estudos. Imaginei uma absurda teoria social que não podia ser falsificada, preparei um abstract e submeti para uma reputada conferência feminista sobre estudos de género.

A minha teoria era a de que a tradicional calçada portuguesa está impregnada de preceitos machistas e misóginos. Para dar consistência à teoria apresentei duas evidências: (i) as mulheres têm mais dificuldade em andar neste tipo de pavimento, especialmente as que usam saltos-altos; (ii) a calcetagem é uma profissão maioritariamente de homens, logo dominada pelo sexo masculino — a escolha da palavra dominada não foi inocente.

O engraçado desta teoria é que é um catch-22: não pode ser provada (em bom rigor epistemológico, nenhuma teoria pode ser provada), pois não tenho um registo histórico onde o inventor da calçada deixou por escrito que era esse o seu propósito; mas também não é possível falsificá-la, porque também não há evidência em sentido contrário — naturalmente que o inventor da calçada não deixou um papel escrito a dizer que a calçada não é misógina e discriminatória.

Uma dupla de académicos testou a filtragem do nonsense na arbitragem por pares nas revistas do género. O artigo foi aceite e publicado, tendo sido removido apenas após os próprios autores fazerem a denúncia do caso.

Ademais, eu poderia argumentar, à imagem do que é feito por tantos outros académicos desta área, que isso era a vontade latente, ainda que não expressa ou assumida, que resulta de o calceteiro que se lembrou de usar pedra cal branca e preta ter vivido numa sociedade patriarcal. Uma epistemologia séria e rigorosa descartaria imediatamente a minha teoria precisamente por não resultar das premissas e não ser falsificável. 

abstract foi aceite para apresentação na conferência, que teve lugar em Junho deste ano em Montreal, Canadá

.…e uma perspectiva machista para o iceberg

Se estes artigos procuram denunciar situações caricatas a que estes estudos dão origem, outros há que são efectivamente sérios, ou pretendem ser, embora frequentemente não pareçam. Por exemplo, Valerie De Craene, num artigo publicado também este ano no Journal of Gender, Place & Culture, argumenta que os geógrafos ignoram os seus corpos, a sua sexualidade e o seu erotismo, escondendo até, imagine-se, os seus desejos sexuais do resto da comunidade científica, e como tudo isto influencia a carreira de investigação. A investigadora partilha até, num exercício de reflexividade, a sua experiência como mulher-investigadora desejada, e como isso influenciou a sua carreira científica. Finalmente, o artigo tem uma secção dedicada a clubes de swing.

E se no caso da geografia se pode argumentar que a componente humana é parte integrante da área científica, pelo que não é despiciente o papel do observador no objecto ou fenómeno observado, confesso que tenho mais dificuldade em perceber de que forma é que um iceberg pode ser interpretado numa perspectiva feminista (o que implica que também existe uma perspectiva machista para o iceberg).

Mark Carey e colegas, num artigo publicado na revista Progress in Human Geography (Impact Factor 2016: 5.776), convidam-nos a estudar os icebergs usando uma framework glaciológica feminista, desta forma promovendo uma «ciência equitativa» e uma interacção «humano-gelo» mais «justa». Ou então o artigo de Teresa Lloro-Bidart, publicado na revista Gender, Place & Culture — A Journal of Feminist Geography, onde a autora argumenta que uma determinada estirpe de esquilos originária da zona de Los Angeles é vítima de racismo e discriminação generalizada por parte dos media, pois estes alimentam-se do lixo doméstico e de outros detritos humanos. A autora postula esta conjectura recorrendo, palavras da própria, a «teorias feministas pós-humanistas» e a «estudos feministas de alimentação».

As teorias sobre o sexo como «construção social»

O que tem isto tudo a ver com o recente episódio que envolveu a Porto Editora, dois malfadados livros que «perpetuam o papel e a discriminação de género», a intervenção de uma entidade chamada «Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género» e este longo prelúdio? Infelizmente, muito. Toda a teoria que sustenta a tese da igualdade de género está assente em teorias sociológicas que radicam precisamente do mesmo corpo científico, neste caso a do construcionismo social, e para as quais é completamente alheia, e até dispensável, o contributo da biologia. Tudo é um artefacto social, e não é menos artefacto o sexo das pessoas.

O conceito de «género», que procura substituir o antiquado «sexo» que a biologia havia determinado, é então uma construção social, que subleva a importância da genitália e de outros determinantes fisiológicos e neurológicos, e os condiciona àquilo que é o devir social do indivíduo na sociedade.

Se isto parece um mero apetrecho discursivo para promover a inclusão daqueles que nascem fora da concepção binária de sexo, na verdade esta ideia de que o género é um papel que se escolhe e atribui pode ter nefastas consequências. Na Noruega, nos anos 70, as crianças hermafroditas e transsexuais, as quais fruto de uma disfunção genética não era possível determinar, à nascença, o sexo preponderante, viam o seu género ser escolhido pelos pais. Afinal, se o género é uma construção social, sendo a genitália uma pequena diferença anatómica sem relevo neurobiológico, então era indiferente se seriam homens ou mulheres.

Em alguns casos a cirurgia de mudança de sexo era efectuada antes mesmo de atingirem a puberdade, quando alterações hormonais posteriores acabavam por tornar preponderante um dos sexos. A natureza discorda, e foram demasiados os casos de crianças cujo género escolhido pelos pais afinal não era aquele no qual elas se identificavam mais tarde.

Toda a teoria que sustenta a tese da igualdade de género está assente em teorias sociológicas que radicam precisamente do mesmo corpo científico, neste caso a do construcionismo social, e para os quais é completamente alheia, e até dispensável, o contributo da biologia.

Assim, e à luz das teorias vigentes dos estudos de género, a única coisa que separa homens e mulheres é o papel que alguém, geralmente os pais e a família, no limite a sociedade, lhes atribuiu. Tradicionalmente, a sociedade ocidental era patriarcal e misógina, tendo atribuído um papel secundário à mulher. Esta «heteronormatividade patriarcal», como os estudiosos desta área lhe chamam, condicionou todas as escolhas subsequentes, pelo que as diferenças entre géneros resultam de um devir sociológico que as criou. Desta forma, se o rapaz escolhe uma bola ou uma espada e a rapariga uma princesa é porque sempre foi esse o papel social que foi atribuído a cada um dos géneros, mas poderia ser o exacto oposto. Ou assim pensam alguns cientistas sociais.

O problema é… a Biologia

A história terminaria aqui não fosse a biologia, a psicologia evolutiva e as neurociências, que teimam em encontrar diferenças fisiológicas e neurológicas entre os sexos. Em estudos efectuados com recém-nascidos, que ainda estão num estágio de desenvolvimento cognitivo pré-social e como tal ainda não são influenciados pelo meio, verifica-se que existem preferências inatas e inerentes ao sexo pelo tipo de brinquedo que escolhem (Jadva, Hines, & Golombok, 2010; Alexander, Wilcoxm & Woods, 2009). Isto é, a esmagadora maioria dos rapazes tende a escolher brinquedos tipicamente masculinos (heróis e vilões, carros e bolas) e as raparigas brinquedos tipicamente femininos (princesas, casas de bonecas).

Esta evidência mantém-se para diferentes países e culturas, assim como para diferentes períodos temporais (são analisadas várias coortes). A excepção? As meninas que nascem com uma anomalia endócrina que as faz produzir testosterona a níveis típicos dos rapazes. Nesse caso as meninas escolhem brinquedos tipicamente masculinos (Berenbaum & Hines, 1992).

Mais fascinante ainda, há estudos que mostram que os nossos primos biológicos mais próximos, os primatas, exibem exactamente as mesmas preferências «estereotipicamente sexistas», na terminologia dos defensores da teoria de género, que nós, humanos — ou isso, ou há mesmo determinantes biológicos que condicionam as escolhas (Hassett, Siebert, & Wallen, 2008; Alexander & Hines, 2002).

Não é absoluto que homens e mulheres sejam iguais, queiram ser iguais, tenham as mesmas preferências ou queiram ter as mesmas preferências.

A ideia de que pode existir um livro que traduz melhor as preferências femininas e outro que traduz melhor as preferências masculinas não é, portanto, descabida. Não é absoluto que homens e mulheres sejam iguais, queiram ser iguais, tenham as mesmas preferências ou queiram ter as mesmas preferências. Arrumado este ponto, há quem argumente que, vis-à-vis, o livro para meninas tem 3 exercícios mais complexos do que o dos rapazes, enquanto que o dos rapazes tem 6. Ou seja, os autores estariam a assumir que as raparigas são menos inteligentes.

Esta conclusão não está longe da teoria estapafúrdia das pedras da calçada portuguesa serem machistas. Cada livro tem mais de 80 exercícios, 160 se considerarmos os dois. Falamos, portanto, de uma diferença no grau de dificuldade em 1.875% dos exercícios, o que só por má-fé se pode achar que foi deliberado, e não um acaso estatístico. Novamente, a tese não pode ser falsificada. É a palavra dos autores contra a dos que lançaram o auto-de-fé.

O papel da escola de Frankfurt

Mas a maior crítica é a de que os livros promoviam a «discriminação de género». Dado que os sexos são efectivamente diferentes, podemos assumir que se tratam dos partidários da teoria da igualdade de género (se por esta altura acha que isto do igualitarismo de género lembra teorias económicas e sociais marxistas, não é por acaso — quase todo o trabalho sobre estudos de género tem origem intelectual na escola de Frankfurt, onde se sediavam conhecidos filósofos alemães que procuravam complementar o marxismo clássico com uma teoria crítica, antipositivista, e de onde é originário o politicamente correcto discursivo). A discordância é de salutar, especialmente no meio académico.

A universidade reúne várias escolas, e até nas ciências naturais existem teorias que são mutuamente exclusivas. É desta dialéctica de correntes de pensamento que o conhecimento progride. Nem todo o novo conhecimento é cumulativo, no sentido em que resulta de um pequeno acrescento face ao postulado anteriormente — bem pelo contrário, arriscaria dizer que os grandes saltos resultam sempre de mudanças de paradigma radicais (Copérnico, Newton, Darwin, Einstein, etc.).

A Porto Editora disputa o mercado dos livros escolares, e certamente não quer comprar uma guerra. A dimensão do país, ou a falta dela, por vezes obriga à subserviência ao poder político.

O fenómeno seria inconsequente, ou até um bom pretexto para promover a discussão, não tivesse a Porto Editora, após «recomendação» da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, tutelada pelo Governo, retirado os livros do mercado. Recomendação de jure, obrigação de facto, porque a Porto Editora disputa o mercado dos livros escolares, e certamente não quer comprar uma guerra. A dimensão do país, ou a falta dela, por vezes obriga à subserviência ao poder político.

Dos livros da Porto Editora à Google

Este incidente com a Porto Editora não é caso isolado. Ainda recentemente, James Damore, engenheiro informático da Google com um mestrado em sistemas de biologia de Harvard, escreveu um ensaio de 10 páginas onde fundamenta, de uma forma racional e amparada de evidência científica (mas não da correcta), que existem diferenças significativas entre os sexos, e isso, argumenta, poderá explicar o porquê de as mulheres estarem sub-representadas em empresas tecnológicas.

Não o fez num estilo panfletário, fundamentou a sua posição, deu referências científicas (posteriormente confirmadas por psicólogos evolucionistas, neurocientistas e pedopsiquiatras), discutíveis certamente, mas isso era de somenos — a sua opinião era conflituante com a igualdade de género, pelo que havia que acender as fogueiras. Foi despedido.

Também recentemente, Chico Buarque, cantor brasileiro assumidamente de esquerda, foi acusado de machismo por dedicar dois versos de uma música do seu mais recente álbum a um homem que larga mulher e filhos para ir ter com a amante, e houve mesmo quem o tentasse banir no Brasil. No Reino Unido, a música Blurred Lines, do Robert Thicke e Pharell, está banida em mais de 20 universidades, pois é, dizem os alunos que intercederam, misógina. As mesmas universidades e os mesmos alunos que querem retirar dos currículos filósofos brancos, pois estes compactuaram (?) com o colonialismo. 

A possibilidade de ideias ou livros terem de ter o selo de aprovação de uma entidade é análogo àquela que era a função do Secretariado Nacional para a Informação no tempo do Estado Novo.

Em Portugal, o cantor C4 Pedro foi obrigado a retirar um videoclip do YouTube pois era, garantem as feministas portuguesas, misógino e discriminatório. Não se trata, portanto, de discórdia, de pluralismo ou de discutir ideias conflituantes, de não comprar aquilo de que não se gosta (quem desgosta dos livros tem bom remédio — não compra). Trata-se, sim, da imposição de uma determinada visão, e de cercear tudo aquilo que vá contra a corrente dominante, o que, em última análise, implica censura. É a ditadura do politicamente correcto.

A ditadura do politicamente correcto

A possibilidade de ideias ou livros terem de ter o selo de aprovação de uma entidade é análogo àquela que era a função do Secretariado Nacional para a Informação no tempo do Estado Novo. Todos os regimes despóticos, aliás, sabiam que controlar a informação, seja sob a forma de ideias, crónicas ou livros, era fundamental para regular o pensamento e as acções.

Aqueles que hoje advogam e forçam a ditadura do politicamente correcto também o sabem. Sabem que o discurso é uma forma eficaz de condicionamento e imposição social e ideológica. Mas é também censura, é também uma clara violação dos mais elementares direitos e liberdades de uma democracia liberal.

Nunca George Orwell fez tanto sentido: «Se liberdade significar alguma coisa, significa o direito de dizer aquilo que outros não querem ouvir».

Não é admissível que numa sociedade aberta e livre haja quem se ache no direito de coartar a opinião dos outros, e, mais grave ainda, de impor aquela que é a sua visão, para tal silenciando ou perseguindo politicamente. O caso da censura por parte da CIG, já de si condenável, já levou a sugestões inenarráveis como acabar com a secção de brinquedos para meninos e para meninas, como se uma menina estivesse proibida de comprar uma bola ou um Action Man, e o dia chegará em que exigirão o fim das secções de roupa para homem e para mulher.

Se é grave que aconteça no meio académico, é gravíssimo que chegue ao ponto de determinados livros serem retirados do mercado. Nunca George Orwell fez tanto sentido: «Se liberdade significar alguma coisa, significa o direito de dizer aquilo que outros não querem ouvir».