quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Denunciando a falsificação marxista da história sobre o papel das massas


OMELETES SEM OVOS. RÉPLICA A DOIS SÁBIOS

João Pedro MarquesPúblico, Agosto de 2017

A HISTÓRIA TEM TAMBÉM, OU SOBRETUDO, QUEM A ESTUDA
E QUEM A ESCREVE. O QUE NÃO DEVE TER É QUEM FALA DE COR.

1. O economista Nuno Teles admite que nunca leu nada do que eu escrevi na minha actividade de historiador, apenas três artigos meus no PÚBLICO. Apesar disso arrisca uma pequena omelete sem ovos e não se coíbe de fazer considerações sobre as minhas interpretações históricas — de que, como é óbvio, ignora a solidez — nem receia afirmar, como quem acusa um pecador, que eu sou «famoso internacionalmente por defender a irrelevância, senão mesmo o efeito negativo das revoltas de escravos no abolicionismo».

Eu penso, de facto, que a abolição da escravidão partiu e ficou essencialmente a cargo do Ocidente — sobretudo da Grã-Bretanha. Houve sempre quem procurasse diminuir o mérito das políticas abolicionistas, quem dissesse que a decisão de abolir tinha tido motivos económicos puramente egoístas. É uma forma simplista de olhar as coisas, mas isso seria assunto para outro artigo. Aqui, estou mais preocupado com a teoria, ultimamente em moda e de que Nuno Teles se fez eco, segundo a qual teriam sido os escravos revoltosos que, através da sua luta, teriam chegado à abolição da escravidão ou forçado os países coloniais a decretá-la.

O objectivo dessa teoria é o de atribuir um papel activo e, mais que isso, decisivo, às massas escravas na história da sua própria libertação. Percebe-se a intenção, marcadamente política, mas, excepção feita ao caso particular do Haiti — que já veremos —, essa teoria não é confirmada pelos factos. Aliás, as grandes revoltas de escravos foram menos frequentes do que se diz.

Nos 350 anos que vão desde o início do tráfico atlântico até à época do abolicionismo e da Revolução Francesa, houve nove revoltas dessas em todo o mundo colonial. Porém, elas não visavam acabar com a escravidão. Visavam apenas — e é importante que isso seja sublinhado — a libertação dos revoltosos, que, uma vez livres, escravizavam (ou pretendiam escravizar) outras pessoas. Os escravos que controlaram, por momentos, uma parte da Guiana, ou os que formaram o grande quilombo de Palmares, mantiveram a escravidão, e há muitos exemplos análogos. Ou seja, os rebeldes e fugitivos adquiriam a liberdade para si mesmos, mas tinham ou podiam ter escravos — não eram antiescravistas. O mesmo já havia acontecido, aliás, com os escravos revoltosos na Roma antiga ou no califado Abássida. Ao contrário do que em geral se pensa, revolta escrava e antiescravismo não são necessariamente sinónimos.

Foi só com o aparecimento do abolicionismo que as coisas mudaram de figura. Aumentou, desde logo, o número de revoltas nas Américas — 20, nos 43 anos que se seguiram ao eclodir da Revolução Francesa — e algumas delas já reivindicavam o fim da escravidão. Como é óbvio, foram o abolicionismo e o fermento da revolução que estimularam as revoltas, dando a algumas delas novas metas, e não o inverso. Isso é evidente no caso inglês e, até, na colónia francesa de São Domingos (depois, Haiti), onde, em 1804, pela primeira e única vez na história, os escravos erradicaram a escravidão através da sua luta.

O exemplo do Haiti incentivou outros escravos a revoltarem-se. Todavia, essas revoltas foram facilmente esmagadas, como por norma acontecia, e não foi por essa via que se chegou à abolição da escravidão. Terá sido por via do medo que o risco de mais revoltas incutia nos países ocidentais? Importa dizer que, no Haiti, em 12 anos de confrontos no contexto da Revolução Francesa, da guerra contra inimigos exteriores e da revolta escrava, terão morrido 80 mil europeus e um número desconhecido mas certamente superior de negros. Esses factos provocaram horror nas sociedades escravocratas, mas tratou-se, como sempre, de um horror transitório.

A revolta do Haiti não impediu que os senhores continuassem a importar mais africanos e a praticar a escravidão. Ou seja, não foi o pavor de novos Haitis que levou à abolição em nenhum país ocidental. Essas abolições — incluindo a francesa que, após os ziguezagues da época revolucionária, só ocorreu em 1848 — foram decretadas pelos poderes políticos desses países e muito depois — cerca de 40 a 100 anos depois — da revolta de escravos haitiana. Não resultaram de rebeliões nem de medos, mas daquilo que, na época, Tocqueville designou por «iluminada vontade dos senhores», isto é, a vontade de que a escravidão acabasse por razões de justiça, de humanidade, de boa política e, sobretudo, por haver a convicção de que o trabalho livre e remunerado seria mais produtivo que o trabalho escravo.

Por isso, quando ouvirem dizer que foram os escravos rebeldes que provocaram a abolição, peçam, por favor, que vos mostrem onde e quando, nos anos imediatamente anteriores às decisões de abolir, terá havido revoltas dessas em colónias portuguesas, espanholas, dinamarquesas, suecas, holandesas, nos Estados Unidos, no Chile, etc. Não as houve. Não porque os escravos, geralmente falando, não fossem corajosos, mas porque sabiam que, a menos que os brancos entrassem em divergências e guerras uns com os outros, a luta armada contra a escravidão estava votada ao insucesso, dada a superioridade de armamento dos senhores. E mesmo em casos de luta fratricida entre brancos, era duvidoso que as revoltas pudessem triunfar se outros factores não interviessem — como acontecera no Haiti.

Pense-se no caso norte-americano. Em plena guerra civil, Lincoln fez uma espécie de apelo aos escravos para se revoltarem, o que ajudaria o Norte. Mas os cerca de quatro milhões de escravos que então existiam no Sul não corresponderam ao apelo, ainda que o momento lhes fosse favorável pois o alistamento da população masculina e a sua partida para a frente de batalha reduzira a sociedade branca sulista a mulheres, crianças e velhos. Mesmo assim, não houve revolta. Isto não significa que os escravos tenham tido um comportamento passivo, pois muitos arriscaram as suas vidas na fuga para se juntarem às tropas nortistas. Mas a ausência de revoltas no período da Guerra da Secessão significa que a luta dos escravos pela liberdade foi feita num quadro regular, ao lado dos soldados brancos, e não num quadro insurreccional. O mesmo sucedeu em vários países da América Latina e até, em certos períodos, no próprio Haiti.

A escravidão, volto a afirmá-lo, não acabou devido a revoltas escravas, mas graças aos brancos e, também, aos negros que combateram a seu lado em organizações abolicionistas ou nos exércitos, de forma conjugada, cooperando uns com os outros para pôr fim ao flagelo. Eu sei que esta afirmação vai contra a corrente e que não é aceite pelos que, como Nuno Teles, se guiam pela historiografia de inspiração marxista. Remeto-os, então, para o debate entre historiadores no livro Who Abolished Slavery? (2010) e deixo-os não com as minhas afirmações nesse debate — sei que santos de casa não fazem milagres —, mas com as conclusões de David B. Davis, uma das maiores autoridades na matéria, e que é taxativo: «Se não tivesse havido o movimento abolicionista, os sistemas escravistas nas Américas não teriam acabado no século XIX.»

2. Paulo Pinto dedicou-me um novo texto que nada de relevante acrescenta ao anterior nem ao assunto. Fica-se novamente pela estratosfera das ideias genéricas, receoso de descer ao terreno — desta vez nem sequer usou a palavra escravatura, não fosse escaldar-se —, e lá do alto dessas generalidades diz-nos, como La Palice, que, em História, pode haver várias interpretações. Verdade. Há umas melhores, outras piores, dependendo da sua lógica interna e da solidez da fundamentação. Mas para haver interpretações é preciso conhecer os factos, os documentos, a bibliografia especializada, senão são, outra vez, omeletes sem ovos, mera ideologia e conversa de embalar.

O meu contraditor afirma que «a História não tem sentinelas nem guardiões, apenas observadores críticos». É curto. A História tem também, ou sobretudo, quem a estuda e quem a escreve. O que não deve ter é quem fala de cor. Estará Paulo Pinto com vontade de propor interpretações diferentes das minhas? Se o está é bom que as apresente. Se não está, então talvez seja de mudar de rumo, não vá pensar-se que tem excesso de voluntarismo ou pior que isso. De qualquer modo, não fique em cuidado. As minhas interpretações sobre a história da escravatura foram e continuam a ser estudadas e escrutinadas, cá e lá fora. Passam pelo crivo da crítica, como é de boa norma. São sólidas. E as de Paulo Pinto? Existem? Poderemos lê-las?





quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Métodos da história antiportuguesa


Escola de Sagres: organizada por D. Henrique, desenvolveu técnicas de navegação
e a indústria marítima, porém a historiografia ignora a sua existência.

Hugo Dantas, Nova Portugalidade, 6 de Agosto de 2017

A História querer-se-ia a investigação rigorosa da acção colectiva da Humanidade, ou das muitas humanidades que a compõem, completada com o prudente e desapaixonado juízo que discerne as causas próximas e remotas do devir histórico. Porém, é mais frequente, o que nos tenta a concluir que é natural, que se escreva a história a favor ou contra certas concepções, partidos ou ideologias. Os que escrevem a história antiportuguesa pretendem reduzir a intervenção do nosso povo no curso geral das coisas a um empreendimento terrorista, enfatizando este e aquele acto de violência, induzindo apressadamente a partir de certa infâmia, recortando do volumoso e riquíssimo manancial de quase seis séculos de actuação ultramarina dos Portugueses somente o trânsito negreiro no Atlântico, procurando apresentá-lo como a herança definitiva legada à posteridade humana da Expansão e do Império.

A história antiportuguesa redige-se, algumas vezes, com recurso à pura e simples mentira. Na grande maioria destes casos, o leitor ou o ouvinte consciencioso poderá desalojar um livro de historiografia séria da sua estante, ou da prateleira de qualquer biblioteca pública nas proximidades, e prevenir-se contra a fraude. Porém, a história antiportuguesa é quase sempre produzida por métodos mais subtis. Em breve, mas significativo ensaio, «Catholic Truth in History», Hilaire Belloc descreveu os modos pelos quais na Inglaterra protestante se forjavam tratados e manuais anticatólicos. Os métodos da historiografia anticatólica que Belloc examina são aplicáveis a qualquer pessoa ou colectividade cuja história, e identidade, se queira deformar para qualquer propósito, e também se encontram na historiografia antiportuguesa, o que qualquer escrutinador será capaz de fazer, uma vez apercebida a natureza de tais procedimentos.

A história antiportuguesa começa a gerar-se na selecção dos materiais. Qualquer narrativa impõe uma selecção dos factos a mencionar. As crónicas dos feitos humanos oferecem-nos um oceano de sucessos, personalidades e contextos, entre o qual é necessário peneirar o que se julga dever ficar registado. Assim, a selecção do material pode fazer-se de modo a que a verdade seja obnubilada, ainda que cada facto que se apresente seja verdadeiro. A história antiportuguesa selecciona somente entre os anais da Expansão e do Império aquilo que oferece um retrato escabroso do nosso empreendimento colectivo.

O tom do narrador é sempre elemento não desprezível de qualquer obra de historiografia. O tom antiportuguês empregará a ironia para com os nossos maiores feitos, usará das palavras mais fortes e emocionais para descrever os abusos verificados, introduzirá expressões de insinuadora ambiguidade em parágrafos onde competiria imperar o rigor descritivo.

Por fim, a proporção escolhida entre as diversas partes da narrativa concorre para completar um retrato mentiroso na historiografia antiportuguesa. Dois historiadores podem seleccionar o mesmo conjunto de factos a tratar nas suas obras. Mas a dimensão e a ênfase que conferem a cada um dos factos, a ordem em que estes são postos na narrativa, impressionam de forma diversa, mais favorável ou prejudicial, o leitor. O que história contra Portugal não hesitará em desamarrar a pensa, que navega à bolina do seu ódio, para relatar, com pormenores grotescos, o que de infame existir para ser publicado sobre o nosso passado imperial.

A história da expansão ultramarina de Portugal, como um todo, e nas suas partes, tem sido objecto destes múltiplos métodos de ocultar e deformar a verdade histórica. Mais recentemente, aproveitando o ímpeto projectado desde o estrangeiro, a historiografia antiportuguesa tem-se empenhado em reduzir a história da Expansão e do Império ao tráfico negreiro, aos abusos praticados sobre os nativos americanos e africanos, às razias e à guerra. Ainda que quaisquer alegações relacionadas com estes eventos, em si mesmas, sejam verdadeiras, e em muitos casos não o são, a exposição que com eles se constrói da história de Portugal é falsa. Excluídos ficam os decisivos contributos de Portugal para o progresso da Humanidade: a vitória sobre a distância, a fundação de um verdadeiro mercado mundial, a difusão de tecnologia, a revolução alimentar... Em sumário, o pioneirismo na globalização, a tomada da posse da Terra pela Humanidade, dos quais todos, hoje, em maior ou menor grau, gozamos os frutos, desconhecidos dos antigos durante milénios.

No próximo texto de história antiportuguesa que encontrar, o estimado leitor poderá, olhando à selecção, ao tom, à proporção usadas, apontar exactamente onde é que está a mentira.





domingo, 6 de agosto de 2017

Política turca conseguiu minimizar os cristãos de 20% para 0,2% em 100 anos


António Justo

Estado turco confisca património cultural cristão

O Estado turco acaba de confiscar, pelo menos, 50 conventos, igrejas e cemitérios, dos cristãos ortodoxos sírios (Arménios/sírios) transferindo a sua posse para a Repartição estatal da religião islâmica. À perseguição e discriminação dos cristãos vem juntar-se a expropriação do seu património cultural. Com esta medida o governo pode vender e transformar em mesquitas e museus o património dos cristãos.

A Turquia considera-se exemplar, na tradição do holocausto aos cristãos arménios e da política muçulmana de estabelecer uma monocultura no exterior através de guetos e de procriação e no interior através da discriminação e da negação ao direito de cristãos se organizarem como personalidade jurídica; isto corresponde à negação da existência pública a grupos não muçulmanos; deste modo, outros estão expostos às arbitrariedades de um estado hegemónico já com 99% de muçulmanos, quando em 1914 os cristãos constituíam, na região, ainda 20% da população. Hoje são apenas 0,2% (125 000). A diminuição deve-se ao genocídio (mais de um milhão foram mortos 1915-1917), à expulsão e à discriminação sistemática por um Estado que se quer monocultura.

Também milhares de arménios tinham já sido expropriados pelo Estado turco nos últimos 15 anos (HNA, 4.07) na região do sudeste da Anatólia. O convento Mor Gabriel na região Midyat que data do ano 397 ainda é sede do bispado.

Os arménios são dos mais antigos povos cristãos a viver na região, já desde o tempo dos apóstolos. Os arménios também são oprimidos e expulsos das suas residências pelos partidos de conflito entre o Estado turco e os curdos. Em Tur Abdin já só vivem 2 000 arménios, o resto pediu asilo na Europa.

A Igreja evangélica na Alemanha já protestou contra as expropriações, considerando tal prática um «acto consciente de destruição da cultura» na região Tur Abdin.

O islamista Recep Tayyip Erdogan implementa consequentemente a monocultura islâmica na sociedade turca.  Conta com a indiferença dos países ocidentais apenas interessados no negócio e sabe que, devido à densidade cultural histórica no país, atrairá sempre o turismo internacional, podendo-se permitir não suportar senão referências ao Islão e ter todas de minorias sob controlo na perspectiva islâmica. Na Turquia é possível identificar-se um cristão através de um número do Bilhete de identidade. Assim o Estado e instituições têm mais facilidade em discriminar os seus cidadãos porque só confia em muçulmanos nas altas hierarquias e instituições.

A Turquia, um exemplo de país muçulmano moderno, é um bom exemplo de como o Islão mais avançado realiza o seu futuro. A cegueira da humanidade é tanta que, a poder de tanta ideologia na cabeça, já não consegue ver nem interpretar a realidade dos factos; nega-se a discutir factores culturais da própria identidade para fomentar a expansão da alheia, sem haver reciprocidade de atitudes e comportamentos. Enfim, a irresponsabilidade europeia ajuda a esperteza dos outros. É sintomático o facto de só a Igreja evangélica protestar contra a arbitrariedade turca.





sábado, 5 de agosto de 2017

A nova e moderna língua portuguesa



Helena Sacadura Cabral

HOJE NÃO SE FALA PORTUGUÊS... LINGUAREJA-SE!

Desde que os americanos se lembraram de começar a chamar aos negros de «afro-americanos», com vista a acabar com as raças por via gramatical, isto tem sido um fartote pegado! As criadas dos anos 70 passaram a «empregadas domésticas» e preparam-se agora para receber a menção de «auxiliares de apoio doméstico».

De igual modo, extinguiram-se nas escolas os «contínuos» que passaram todos a «auxiliares da acção educativa» e agora são «assistentes operacionais».

Os vendedores de medicamentos, com alguma prosápia, tratam-se por «delegados de informação médica».

E pelo mesmo processo transmudaram-se os caixeiros-viajantes em «técnicos de vendas» ou «comerciais».

O aborto eufemizou-se em «interrupção voluntária da gravidez».

Os gangs étnicos são «grupos de jovens».

Os operários fizeram-se de repente «colaboradores».

As fábricas, essas, vistas de dentro são «unidades produtivas» e vistas de exterior são «centros de decisão nacionais».

O analfabetismo desapareceu da crosta portuguesa, cedendo o passo à «iliteracia» galopante. Desapareceram dos comboios as 1.ª e 2.ª classes, para não ferir a susceptibilidade social das massas hierarquizadas, mas por imperscrutáveis necessidades de tesouraria continuam a cobrar-se preços distintos nas classes «Conforto» e «Turística».

A Ágata, rainha do pimba, cantava chorosa: «Sou mãe solteira...»; agora, se quiser acompanhar os novos tempos, deve alterar a letra da pungente melodia: «Tenho uma família monoparental...» – eis o novo verso da cançoneta, se quiser fazer jus à modernidade impante.

Aquietadas pela televisão, já se não vêem por aí aos pinotes crianças irrequietas e «terroristas»; diz-se modernamente que têm um «comportamento disfuncional hiperactivo». Do mesmo modo, e para felicidade dos «encarregados de educação» , os brilhantes programas escolares extinguiram os alunos cábulas; tais estudantes serão, quando muito, «crianças de desenvolvimento instável».

Ainda há cegos, infelizmente. Mas como a palavra fosse considerada desagradável e até aviltante, quem não vê é considerado «invisual». (O termo é gramaticalmente impróprio, como impróprio seria chamar inauditivos aos surdos – mas o «politicamente correcto» marimba-se para as regras gramaticais...)

As p.... passaram a ser «senhoras de alterne».

Quando a vida corre bem é «bué de fixe».

À mentira passou a chamar-se de inverdade.

Para compor o ramalhete e se darem ares, as gentes cultas da praça desbocam-se em «implementações», «posturas pró-activas», «políticas fracturantes» e outros barbarismos da linguagem. E assim linguajamos o Português, vagueando perdidos entre a «correcção política» e o novo-riquismo linguístico.

Estamos «tramados» com este «novo português»; não admira que o pessoal tenha cada vez mais esgotamentos e stress. Já não se diz o que se pensa, tem de se pensar o que se diz de forma «politicamente correcta».





quarta-feira, 2 de agosto de 2017

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Quando as lições de moral com o desporto chegam a isto, porque não com a política?...


Quando um indivíduo destes, ou Pintos da Costa, ou Roquetes, ou Santanas Lopes, ou Valentins Loureiros — cada um nas suas especialidades... — presidem a grandes clubes e, pelo exemplo, ensinam a sua moral aos seus sócios e simpatizantes, onde parará a «mens sana»?

Eles infectam grande parte da sociedade.

E os políticos do sistema da III República fazem o resto do trabalho.


Ver a notícia em: http://www.record.pt/futebol/futebol-nacional/liga-nos/benfica/detalhe/luis-filipe-vieira-nunca-soube-que-o-benfica-tinha-claques.html





quinta-feira, 27 de julho de 2017

A economia e a galinha




Plinio Corrêa de Oliveira25 de Julho de 2017

Sair da prisão e viver em liberdade

Os media vêm tratando das dificuldades que há em passar da economia comunista para a economia privada nos países que estavam submetidos à tirania da URSS. Como o público comum não está habituado aos assuntos económicos, não entende qual é a razão de tais dificuldades. Porque a volta à normalidade traz um pouco de incómodo, mas pode-se, em pouco tempo e com algum esforço retornar a ela, e a vida continua.

Não me levem a mal o prosaísmo da comparação que vou fazer. Quando eu era menino, viajava-se muito de comboio e pouco de automóvel. Quando se chegava a uma estação, via mercadorias serem retiradas do vagão das cargas. Muitas vezes observava descerem jacás com galinhas — eram uns cestos grandes que se usava para transportá-las.

Depois, as galinhas às vezes eram levadas para minha casa e soltas no galinheiro. De vez em quando ia observar o galinheiro. De maneira que ainda conservo a noção das reacções das galinhas saídas do jacá para o período da normalidade dentro do galinheiro. Eu seria capaz, se soubesse desenhar, de traçar o itinerário delas presas no jacá, e depois, colocadas em liberdade.

Em suma: primeiramente a galinha sentia-se livre e olhava um pouco à sua volta, sentindo-se a si própria. Depois, percebia que era possível voltar à normalidade e começava meio a andar desajeitadamente. Em pouco tempo, estava a andar mais depressa e começava a agressão aos vermes para matar a fome. A galinha é anti-ecológica… Em seguida, percebia onde estava a água e bebia, fazendo — não sei por que fenómeno de deglutição — um gesto enérgico com a cabeça. Por fim, saía a andar normalmente. Tinha escapado ao regime de prisão e voltado para o regime de liberdade.

Porque é que a economia de um país não se faz mais ou menos da mesma maneira? Em última análise, para se avaliar esse assunto sob um aspecto mais sério, exemplifico com a Hungria. O país esteve dominado pelo regime comunista durante muito tempo e, em certo momento, começou a liberalizar a economia. Em alguns anos, a economia húngara estava restituída à normalidade. Não foi necessário escrever longos artigos com estatísticas… Foi a marcha natural, como a da galinha retirada da prisão. Assim, também se pode dizer com a economia que sai do regime socialista.

Não compreendo porque é que noutros países que integravam a antiga URSS não se faz o mesmo. Os jornais apresentam tais complicações funambulescas para a normalização da economia, que se fica sem saber se vão encontrar solução. Parece-me que isso representa um desejo dos comunistas de apresentar alguma outra nova fórmula velhaca que represente um comunismo transformado de verme em libélula. Uma metamorfose do comunismo a fim de enganar os ingénuos…





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Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 5 de Janeiro de 1992. Sem revisão do autor.





quarta-feira, 26 de julho de 2017

«Casamento» entre pessoas do mesmo sexo perante a ciência e a ideologia



(Resumo adaptado de um texto de António Justo

Um biólogo aponta para o possível problema de padrastos

O parlamento alemão aprovou o «casamento para todos» independentemente de os pares serem heterossexuais ou homossexuais. Em reacção ao facto, o Prof. Dr. Ulrich Kutschera, focou três aspectos:

1 — o contexto do novo casamento universal com a ideologia do «género»;

2 — a base biológica do ser humano;

3 — e a pedofilia.

Kutschera receia «a pedofilia subvencionada pelo Estado
e grave abuso infantil no futuro».

Segundo ele, no chamado «casamento gay» agrava-se «o problema dos padrastos», o que constitui um risco acrescido para as crianças: um padrasto que vive em casa com uma filha adoptiva, sem ligações genéticas, poderá ter uma maior possibilidade de abuso, embora haja muitos padrastos bons.

Para o biólogo, no chamado «casamentos gay» com filhos adoptivos não existe a herança genética de imunização contra o incesto. Em casamentos, heterossexuais, pai e mãe são em 50% parentes genéticos de seus filhos, e a consanguinidade produz um efeito inibidor do incesto.

A probabilidade de inclinação para pedofilia  é 10 vezes maior em casos de padrastos e de madrastas (estudo de Regnerus M 2012).

Filhos sem pais biológicos sofrem mais de depressões e tornam-se mais frequentemente criminosos e dependentes da assistência social.

Argumenta ainda biologicamente o seguinte:

— «As crianças são moldadas inteiramente pela voz da mãe biológica durante o desenvolvimento pré-natal».

— É «inaceitável uma troca voluntária desta importante pessoa de referência por pessoas estranhas.»

— Na biologia, «sexo» corresponde à reprodução bisssexual (fertilização) enquanto para a ideologia do «género», sexo significa «o desenvolvimento de animais sexualmente maduros».

— A erotização infantil precoce, implementada nos programas das escolas, é inadequada.

O lóbi homossexualista no Estado utiliza o poder
para exercer a sua ditadura.

O Ministro da Ciência do Hesse (Boris Rhein) insurgiu-se contra o professor biólogo Kutschera por este defender que o «casamento para todos» aumenta o perigo de abuso de crianças e pressionou a reitoria da universidade para criticar o professor.

A universidade retorquiu ao ministro com o argumento da liberdade académica e da liberdade de opinião do professor mas, ao mesmo tempo, estando dependente da atribuição de fundos do Estado, distanciou-se de Kutschera.





terça-feira, 25 de julho de 2017

Igualdade de género, ou nem por isso?


Marco Silva

O único princípio que trata todos por igual é o mérito e essa é a cura deste problema intemporal – o das desigualdades de oportunidades.

No dia 23 de Junho deste ano, foi aprovada no Parlamento a lei das quotas de género nas empresas, obrigando empresas públicas e cotadas em bolsa a contratar mais mulheres para órgãos de fiscalização e para os seus conselhos de administração.

Apesar da pompa e circunstância de mais um «momento decisivo na luta das mulheres», como foi  referido por alguns «corvos» políticos, o certo é que nem um mês volvido e esse entusiasmo desapareceu, nomeadamente porque na comissão de inquérito independente à tragédia de Pedrogão Grande foram escolhidos 12 homens e nenhuma mulher, sem que a maioria que tinha aprovado o diploma uns dias antes tivesse esboçado qualquer protesto.

Por falta de mulheres competentes não será certamente, pelo que cumpre perguntar porque se aceita o sucedido. Será que como não é um tacho público/empresarial duradouro já não tem importância a desigualdade? Ou será que o problema é bem diferente e não está a ser combatido?

Curiosamente, foi do PCP que chegou a causa mais aproximada ao real problema quando, ao votar contra a lei, invocou: porque deixa «intacta a mais profunda das causas de discriminações e desigualdades de que as mulheres são vítimas, a exploração da força de trabalho». Embora a explicação do PCP não atinja o cerne do problema, enquadra-o satisfatoriamente. As mulheres, tal como os homens, mas em menor grau, são vítimas da não aplicação da meritocracia. Ou seja, não é pelo mérito que existe a contratação, nem é pelo mérito que é feita a devida remuneração. Esse modus operandi tem um nome, e não, não é machismo, mas corrupção.

É nesta armadilha que caem grande parte dos defensores da igualdade de género, quando erradamente identificam o machismo como o problema e não como o sintoma que ele é, tal como o é o racismo. Todos os actos de preterir alguém por outro motivo que não o seu mérito devem ser tratados por igual, como actos de corrupção, e só com o recentrar do combate será possível termos uma sociedade igualitária, não por decreto, mas por princípio.

Até porque estes actos isolados de «correcção» são os pilares para a perpetuação e branqueamento da corrupção. Senão vejamos, a partir de agora nas empresas públicas teremos cinco homens e cinco mulheres, sem que o princípio primário seja o mérito, o que permite, num país com um elevado índice de corrupção, a colocação de cinco mulheres do aparelho partidário do Governo ou de uma associação de poder.

Na fachada parece existir igualdade de género, contudo, é uma falácia, porque as mulheres, tal como os homens, não têm qualquer estatuto de igualdade perante os que pertencem aos grupos que dominam as instituições nacionais, sejam elas públicas ou privadas. Em suma, não são as mulheres que têm mais oportunidades no novo sistema, mas apenas as mulheres do grupo privilegiado.

E quem fala nas mulheres fala também nos homens preteridos por não terem cartão do partido, ou nas desigualdades de oportunidades dentro do mesmo género, mas de raças ou orientações sexuais diferentes. O único princípio que trata todos por igual é o mérito e essa é a cura deste problema intemporal – o das desigualdades de oportunidades.

Dito isto, uma cultura de mérito não se cria num dia nem numa geração, mas o passo essencial para que tal ocorra é deixarmo-nos de equívocos quanto ao que está realmente em causa. Não é machismo, é corrupção, corrupção que é transversal a todos os géneros e raças. O problema não está no «homem branco», este apenas tem sido o principal prevaricador por uma questão de oportunidade temporal. O problema está em todos os seres humanos que não tenham o mérito como linha orientadora de escolha.





segunda-feira, 10 de julho de 2017

Marques Mendes, o inteligente







Uma experiência do Terceiro Mundo


Alberto Gonçalves, Observador, 8 de Julho de 2017

É gente literalmente abjecta. Perante a tragédia, decretam o caso resolvido. Perante o desleixo, lembram desleixos maiores. Perante as dúvidas, confessam sentimentos. Perante as câmaras, dão abraços.

Em Maio passado, gastei uma quantidade inusitada de tempo a fazer o que nunca faço: reler as minhas crónicas, no caso as que escrevi sobre o actual governo. O propósito era nobre, e prendia-se com a publicação de um livro saído esta semana (pausa publicitária: que mil familiares do dr. César lhe desabem na cabeça se ainda não adquiriu tão magnífica obra). A experiência foi traumática, para dizer o mínimo. Acompanhar a chamada «actualidade», de modo a garantir a coluna no Observador, é convívio mais do que suficiente com os bandos que tomaram conta disto. Não é clinicamente aconselhável reforçar a confraternização.

Os textos em causa, muito menos por mérito do autor do que pelo evidente e portentoso demérito das criaturas que mandam em nós, são premonitórios. Na medida em que as premonições não primam pelo optimismo, são também deprimentes. Desde o primeiro momento, a loucura intrínseca à aliança das «esquerdas», legitimada por um Presidente que o artigo 328.º do Código Penal me impede de comentar, mostrou ao que vinha e para que servia. O impressionante não é que o desastre se tenha confirmado com estrondo, mas que durante ano e meio o desastre se confundisse, para uma notável percentagem da população, com um relativo sucesso. A sucessão de glórias circenses, da bola às cantigas, passando pelo Santo Padre ou pelo Santo Guterres, não explica tudo. A submissão de boa parte dos «media» explica um bocadinho. As benesses do turismo explicam outro bocadinho. A apatia do bom povo e o júbilo das clientelas talvez expliquem o resto.

Certo é que, em poucas semanas, alguma coisa mudou. Não mudaram o circo, os «media», o povo ou as clientelas. Sucedeu apenas que, de repente ou nem por isso, a realidade tornou-se impossível de negar. E a invencível nação que, de acordo com a propaganda, maravilhava a Terra acordou destapada. E feia. Foram necessários dezenas de cadáveres carbonizados e um picaresco (e aterrador) roubo de armamento ao exército para expor, à revelia da maquilhagem e do «spin» e das «boas notícias», a natureza da gente que ocupa o poder.

Não tem sido um espectáculo agradável, excepto para apreciadores da incompetência, do descaramento e da radical ausência de dignidade. É, em suma, uma gente literalmente abjecta. Perante a tragédia, eles decretam o caso resolvido. Perante o desleixo, lembram desleixos maiores. Perante as dúvidas, confessam sentimentos. Perante as câmaras, dão abraços. Perante a culpa, acusam eucaliptos e furriéis. Perante o caos, pedem avaliações de popularidade. Perante a obrigação, partem de férias para Ibiza, a subjugar espanhóis com a barriga e um par de cuecas.

A propósito de Espanha, é revelador que, apesar dos divertidos esforços dos «jornalistas» de cá para os calar, sejam sobretudo os jornais de lá a contar-nos o que o «estrangeiro» vê quando olha para aqui. Vê uma anedota perigosa, um manicómio em auto-gestão, uma experiência do Terceiro Mundo às portas da Europa. E, naturalmente, assusta-se.

O susto não é descabido. Descabido é o rumo que, com a sensatez habitual, o «debate» indígena ameaça seguir. A oposição, se a palavra se aplica, andou uma semana a lamentar o colapso do Estado e a reclamar a demissão dos ministros da Administração Interna e da Defesa e o regresso do dr. Costa. Para quê? Não imagino. A substituição de duas insignificâncias por duas insignificâncias iguaizinhas não alteraria nada. O prolongamento das férias do dr. Costa por 20 ou 30 anos alteraria imenso. Quanto ao Estado em frangalhos, em teoria só um socialista, assumido ou dissimulado, se maçaria com o tema – na prática, o aborrecido é a devastação principiar pelos únicos pedaços que, se calhar, convinha manter.

Entre o chinfrim, sobra um facto: Portugal é governado por uma coligação de leninistas com sentido de oportunidade e de oportunistas com nostalgias totalitárias. O que nos está a acontecer é o percurso fatal em qualquer arranjo do género. Começa-se em euforia, avança-se para a estupefacção, saltita-se para a raiva e termina-se em desgraça, porque semelhante malformação não poderia terminar de maneira diferente. O simbolismo da recente manifestação de apoio ao sr. Maduro, em Lisboa, não é desprezível.

No mesmo dia em que os funcionários da ditadura atacaram com marretadas pedagógicas o parlamento venezuelano, o Conselho Português para a Paz e Cooperação, uma excrescência do PCP, desfilou a regozijar-se com o sangue das vítimas. Na homenagem, participaram, cito, «representantes da câmara municipal de Lisboa» e, quiçá em celebração de Tancos, a Banda do Exército. Segundo o «Diário de Notícias», o belo evento «foi perturbado por um incidente com um cartaz». O cartaz rezava «Venezuela Livre», e o portador acabou devidamente assaltado em prol da paz e, claro, da cooperação.

Portugal não está nas mãos de irresponsáveis, tradição a que aliás nos habituáramos: está nas mãos de criminosos, por acção ou omissão. São eles que, a cada calamidade, juram que podia ter corrido pior. E, no que depender deles, há-de correr.




Política de cromos, sem princípios decentes, não!



Heduíno Gomes

Assistimos no interior do PPD-PSD, em Lisboa, a uma ofensiva da federação de interesses montada em torno do grupo neo-cavaquista que pretende tomar o poder a Passos Coelho. Integram ainda essa federação os ressabiados a quem Passos Coelho, uma vez no poder, se recusou a conceder umas certas «facilidades»...

Que propõe tal federação de interesses? Uma política sã para o PPD-PSD e Portugal? Nada disso... Apenas pretende ocupar o lugar que outros — bons ou maus — ocupam.

E para melhor ou para pior? De um modo geral, claramente para pior.

Eis os dois pontas-de-lança do grupo.


RUI RIO, O TITULAR

>>> Muito mais teimoso do que o Passos Coelho. Prepotente. O Passos Coelho, comparado o Rio, é uma Irmã Lúcia.

>>> Política e culturalmente muito limitado. Sem qualquer sentido político. Marra a direito.

>>> É o expoente máximo do tecnocratismo. Comparado com o Cavaco, este é um filósofo da política.

>>> É o tal que fez a idiotice da refiliação no Partido, afastando antigos militantes que não estiveram para o aturar...

>>> Anti-regionalista (para ser SG de Marcelo) que virou regionalista (para obter votos bairristas). Como se chama a isto em política?

>>> Apoiante da eutanásia. Subscreveu o manifesto com os bloquistas e outros infra que o produziram.

>>> Actual ponta-de-lança do grupo neo-cavaquista, que anda ávido de recuperar as mordomias da CGD, BdP e outras.

>>> E — bem sintomático — é apoiado pelo Pacheco Pereira e é o preferido de... António Costa!!! Está tudo dito!!!


RUI RANGEL, O SUPLENTE NO BANCO

>>> Empregado do sistema europeísta antipátrias, mundialista e multiculturalista. Mais papista do que os papas do mundialismo.

>>> Despido de qualquer sentido de Estado e patriótico, riu-se, em plena televisão, dos direitos que assistem a Portugal na questão de Olivença. Ele, a bloquista Marisa e o MTP José Faria. Os vendidos não têm pátria.

>>> Apoiante do lóbi homossexualista.

>>> Teólogo rasca (ele diz-se católico), pretendendo moldar a Igreja à medida do citado lóbi.

>>> Suplente do Rui Rio no grupo neo-cavaquista.


VOCÊS, QUE NÃO QUEREM O PASSOS COELHO...

(em especial para o Nuno Morais Sarmento),

não arranjam melhor alternativa do que estas duas lástimas?

Vá lá, se querem apear o Passos Coelho, arrangem assim um candidato decente, com princípios...

...  que defenda os valores morais da Civilização das investidas da barbárie...

... que defenda o valor da vida das investidas do nazismo «democrático» e «progressista»...

... que defenda a família natural das investidas do lóbi homossexualista...

... que defenda a identidade e a independência nacionais das investidas das Merkel e do mundialismo...

... que defenda o bem comum do assalto da federação neo-cavaquista de interesses e de outras federações...

... que defenda Portugal das Donas Brancas mundiais e domésticas, dos grandes escritórios de advogados, das corporações, dos boys, dos incompetentes...

Valores e programa político, sim!

Cheques em branco a cromos, não!






quinta-feira, 6 de julho de 2017

terça-feira, 4 de julho de 2017

Depois da Academia para a Vida, o Instituto para a Família também muda a sua faceta... [ Bergoglio não pára na destruição da doutrina cristã ]


EM FRANCÊS. SE PREFERE LER NOUTRA LÍNGUA: http://magister.blogautore.espresso.repubblica.it/2017/06/28/despues-de-la-academia-para-la-vida-cambia-la-cara-tambien-el-instituto-para-la-familia/?refresh_ce

Sandro Magister, diakonos.be 


Triés sur le volet les uns après les autres, les nouveaux membres de l’Académie pontificale pour la vie nommés le 13 juin par le pape François réservent chaque jour leur lot de surprise.

Mais l’institut voisin Jean-Paul II d’études sur le mariage et la famille, lui aussi confié par le pape aux bons soins de Mgr Vincenzo Paglia, se prépare à suivre la même direction.

* * * *

A l’Académie pontificale pour la vie, ce qui a fait grand bruit c’est surtout la nomination du théologien moraliste anglican Nigel Biggar, un défenseur de l’avortement « jusqu’à 18 semaines après la conception ».

Interpellé par Vatican Insider, Mgr Paglia a tenté de justifier cette nomination en assurant que M. Biggar – à part les mots échangés en 2011 avec le philosophe et pro-avortement fervent Peter Singer – « n’a jamais rien écrit au sujet de l’avortement » tandis qu’en ce qui concerne la fin de vie « il a une position qui concorde en tous points avec celle de l’Eglise catholique ».

Il n’a pas fallu longtemps pour découvrir que ces deux affirmations ne correspondaient pas à la vérité et que M. Bigar a exposé ses positions libérales en matière d’avortement dans un article de 2015 publié dans le « Journal of Medical Ethics » et au sujet de l’euthanasie dans son livre de 2004 « Aiming to kill. The ethics of suicide and euthanasia ».

Certains nouveaux membres se sont également distingués par leurs positions très éloignées dans celle de l’Eglise :
  • La Suédoise Katarina Le Blanc, du Karolinska Institutet de Stockholm qui utilise des cellules souches extraites d’embryons humains fécondés in vitro 
  • Le Japonais et prix Nobel Shinya Yamanaka qui, bien qu’il soit célèbre pour avoir produit artificiellement des cellules souches pluripotentes, n’exclut en rien de poursuivre les recherches sur l’utilisation des cellules embryonnaires humaines et explique pourquoi dans un article publié dans la revue scientifique « Cell & Stem Cell » ;
  • Le Juif Israélien Avraham Steinberg qui admet dans certains cas l’avortement et la destruction des embryons à usage scientifique ;
  • L’italien Maurizio Chiodi, théologien moraliste de premier plan qui, dans son livre « Etica della vita », admet la procréation artificielle pour autant qu’il y ait une « intention de génération ».
* * * *

Entretemps, comme dans le cas de l’Académie, l’Institut pontifical Jean-Paul II d’études sur le mariage et la famille va lui aussi recevoir de nouveaux statuts qui entreront rapidement en vigueur grâce à un chirographe du pape François.

L’institut changera de nom, il ne portera plus le nom du pape qui l’a fondé mais s’appellera désormais « Institut de sciences de la famille » ou quelque chose de similaire et sera intégré à l’Université pontificale du Latran sous l’autorité de son actuel recteur, Mgr Enrico dal Covolo.

Les instigateurs de cette nouvelle ligne justifient cette perte d’autonomie de l’institut par la volonté de renforcer la valeur des titres de licence en théologie morale, de doctorat et de master qu’elle décerne et d’élargir son offre d’enseignement en l’intégrant avec celle de l’université ainsi que dans le but d’élargir sa dimension internationale.

Mais mis à part le fait que l’Institut Jean-Paul II dispose déjà de nombreux sièges propres en Europe, en Asie, en Afrique, en Amérique et en Australie, la première conséquence pratique de ce changement sera que son corps enseignant pourra être remodelé à volonté, en y transférant de nouveaux professeurs et de nouveaux experts depuis l’Université du Latran et d’autres universités, pontificales ou non.

Et ceci suffit à contourner la protection mise en place par les professeurs actuels, dans leur immense majorité résolus à poursuivre la ligne du fondateur de l’institut, le pape Karol Wojtyla, et de ses trois premiers présidents : Carlo Caffarra, Angelo Scola et Livio Melina. Ce dernier a été démis l’été dernier et remplacé par le théologien milanais Pierangelo Sequeri dans la foulée de la nomination de Mgr Paglia au titre de Grand Chancelier de l’institut.  De Mgr Scola, devenu cardinal et archevêque de Milan, nous savons qu’il fut le grand vaincu face à Jorge Mario Bergoglio lors du conclave de 2013.  Quant à Mgr Caffarra, lui aussi devenu cardinal et aujourd’hui archevêque émérite de Bologne, sa liberté de parole face au pape François est célèbre : il s’agit de l’un des quatre cardinaux qui lui ont demandé publiquement de faire la clarté sur les « dubia » suscités par son magistère personnel en matière de mariage et de famille et qui lui ont récemment écrit pour être reçus en audience.  Dans les deux cas sans que le pape ne daigne leur répondre.

On trouve un exemple de la ligne « wojtylienne » à laquelle continuent à rester fidèles les professeurs issus de la gestion précédente de l’institut dans le « Vademecum » sur l’interprétation d’Amoris laetitia édité par les professeurs José Granados, Stephan Kampowski et Juan José Pérez-Soba, en pleine continuité avec le magistère précédent de l’Eglise.

Les changements de camp sont cependant nombreux. Le plus marquant étant celui de Gilfredo Marengo, professeur d’anthropologie théologique dans l’institut depuis 2013.  C’était l’un des disciples préférés de Mgr Scola quand ce dernier était président et même par la suite, alors qu’aujourd’hui il se retrouve sur la rive opposée avec Mgr Paglia.  Ce n’est pas un hasard si c’est justement à ce Mgr Marengo qu’on a confié la charge de coordonner la commission – dont font partie l’actuel président de l’institut, Mgr Sequeri – qui devrait ouvrir la voie à une réinterprétation de l’encyclique Humanae vitae de Paul VI sur la contraception à la lumière d’Amoris laetitia.

Il reste à voir ce qu’il adviendra des sièges périphériques de l’institut, eux aussi peu disposés à se soumettre à la nouvelle orientation. La plus puissante étant celle de Washington, avec un corps enseignant aguerri, bien campé sur la ligne « wojtylienne », bien financé par les Chevaliers de Colomb et dont le chef suprême, Carl Anderson, en est également professeur et vice-président.

* * * *

Dans tous les cas, les élèves et les professeurs de l’Institut Jean-Paul II toujours en place continuent à aller de l’avant sans en démordre.

Dans le prochain numéro de la revue de l’institut, « Anthropotes », paraîtra un article d’un doctorant de Milan, Alberto Frigerio, qui critique de fond en compte l’ouvrage « Amoris laetitia : une volte-face pour la théologie morale » rédigé par Stephan Goertz et Caroline Witting édité en Italie par San Paolo, un livre qui défend les positions les plus avancées de la théologie allemande.

Et c’est justement avec le plus connu des théologiens moraux d’Allemagne, Eberhard Schockenhoff – auteur d’un récent essai sur « Stimmen der Zeit » qui a fait beaucoup de bruit – que Livio Melina, l’avant-dernier président de l’institut, a croisé le fer pendant un colloque à Nysa en Silésie rassemblant une centaine de théologien moralistes polonais en présence des deux évêques auxiliaires de Poznan et de Lublin.

Schockenhoff fait autorité non seulement en Allemagne mais également à l’étranger. C’est justement lui que les conférences épiscopales du Danemark, de Finlande, d’Islande, de Norvège et de Suède ont souhaité entendre lors d’une journée d’étude consacrée Amoris laetitia qui s’est déroulée à Hambourg il y a deux mois.

Mais Mgr Melina a contredit point par point les positions du théologien allemand, montrant l’absence de fondement du présumé « changement de paradigme » que beaucoup associent au magistère du pape François. Et les évêques de Pologne, dans leur lignes directrices pour l’application d’Amoris laetitia, sont complètement d’accord avec lui.

La conférence de Mgr Melina, prononcée le 12 juin dernier, sera elle aussi publiée dans le prochain numéro d’« Anthropotes » sous le titre suivant : « Les défis d’Amoris laetitia pour un théologien moraliste ».